00:00 14 Agosto 2020
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    Estudando o meteorito Tagish Lake, cientistas apuraram que os fluidos moleculares mais antigos do Sistema Solar poderiam ter apoiado a rápida formação e evolução dos componentes básicos da vida.

    Um grupo internacional de cientistas utilizou técnicas de ponta para mapear átomos individuais em minerais formados em fluidos em um asteroide há cerca de 4,5 bilhões de anos, segundo um estudo publicado em 11 de maio pela Academia de Ciências dos EUA e prontamente analisado pelo portal científico Phys.org.

    Segredos do meteorito

    O meteorito alvo da pesquisa é o icônico Tagish Lake, do Real Museu de Ontário, no Canadá, tendo os cientistas usado a tomografia com sonda atômica, uma técnica capaz de fazer imagens de átomos em 3D, para visar moléculas ao longo dos limites e poros entre os grãos de magnetita que se formaram na crosta do asteroide.

    Pesquisadores descobriram precipitados de água que foram deixados nos limites dos grãos onde realizaram suas pioneiras pesquisas.

    "Sabemos que a água era abundante no Sistema Solar primitivo, mas há muito pouca evidência direta da química ou acidez desses líquidos, mesmo que eles tivessem sido críticos para a formação e evolução precoce dos aminoácidos e, eventualmente, da vida microbiana", explica o autor principal Lee F. White, citado pelo portal Phys.

    Esta nova pesquisa em escala atômica forneceu as primeiras provas dos fluidos ricos em sódio (e alcalinos) em que se formaram os framboides das magnetitas. Essas condições fluidas são essenciais para a síntese de aminoácidos, abrindo a porta para a formação de vida microbiana há 4,5 bilhões de anos.

    "Os aminoácidos são componentes essenciais da vida na Terra, mas ainda temos muito a aprender sobre como eles se formaram em nosso Sistema Solar", afirmou Beth Lymer, coautora do estudo.

    "Quanto mais variáveis pudermos restringir, como temperatura e pH, melhor entenderemos a síntese e evolução dessas moléculas tão importantes no que hoje conhecemos como vida biótica na Terra", acrescentou.

    O meteorito foi recuperado de uma camada de gelo no lago Tagish no ano de 2000 e a amostra utilizada pela equipe nunca esteve acima da temperatura ambiente ou exposta à água líquida, permitindo aos cientistas vincular com confiança os fluidos coletados ao asteroide pai.

    Técnicas inovadoras

    Utilizando novas técnicas, como a tomografia por sonda atômica, os cientistas esperam desenvolver métodos analíticos para materiais planetários trazidos para a Terra por naves espaciais, como a missão OSIRIS-REx da NASA ou uma missão planejada de retorno de amostras oriundas de Marte em um futuro próximo.

    "A tomografia por sonda atômica nos dá a oportunidade de fazer descobertas fantásticas em pedaços de material mil vezes mais finos que um cabelo humano", asseverou White.

    Ora, limitando-se as missões espaciais a coletar pequenas amostras, estas técnicas "serão fundamentais para nos permitir entender mais sobre o Sistema Solar, e ao mesmo tempo preservar o material para as gerações futuras", concluiu o autor principal do estudo.

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    Tags:
    Terra, Canadá, meteorito
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