03:25 30 Maio 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    Pandemia da COVID-19 e o mundo no início de maio (100)
    2362
    Nos siga no

    Os receios de que o coronavírus sofra mutação para uma cepa mais perigosa parecem ter sido confirmados, já que uma pesquisa identificou que esta possa ser ainda mais contagiosa do que o vírus SARS-CoV-2.

    A nova estirpe, denominada Spike D614G, tem vindo a proliferar na Europa desde meados de fevereiro, tendo-se propagado para se tornar a forma dominante e sendo muito mais contagiosa do que a estirpe original que emergiu em Wuhan, por razões ainda desconhecidas.

    "O D614G está aumentando em frequência a uma taxa alarmante, indicando uma vantagem de aptidão em relação à cepa original de Wuhan que permite uma propagação mais rápida", lê-se na pesquisa publicada na revista científica bioRxiv.

    Além disso, se o vírus não desaparecer à medida que o tempo aquece na estação do verão, não haverá nada que o impeça de se transformar em cada vez mais cepas.

    Disseminação global

    Realizada por uma equipe conjunta americana e britânica liderada pelo Laboratório Nacional de Los Alamos (EUA), a pesquisa foi divulgada como "aviso prévio" a outros cientistas.

    A metodologia dos cientistas envolveu a análise computacional de mais de 6.000 sequências de DNA de coronavírus coletadas em todo o mundo.

    "Embora a diversidade observada entre as sequências pandêmicas de SARS-CoV-2 seja baixa, sua rápida disseminação global fornece ao vírus uma ampla oportunidade para a seleção natural atuar sobre mutações raras, mas favoráveis", diz o estudo, adicionando que houve pelo menos 14 mutações diferentes nas sequências de proteínas Spike, apenas uma das quais é a cepa que preocupa todo mundo.

    Esta é a cepa da mutação D614G, que provavelmente está causando o aumento da contagiosidade. A mutação afeta as proteínas Spike do lado de fora do vírus, o que permite que o vírus invada as células humanas. Por esse motivo, esses picos até agora têm sido o principal alvo daqueles que tentam projetar vacinas ou medicamentos antivirais para combater o vírus. Atualmente, existem pelo menos 62 vacinas em desenvolvimento, e a maioria delas está focada nas proteínas Spike.

    Micrografia eletrônica colorida de uma célula apoptótica (vermelho) infectada com partículas do vírus SARS-COV-2 (amarelo), também conhecido como novo coronavírus, isolado de uma amostra de paciente. Imagem capturada no Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID, na sigla em inglês), em Fort Detrick, Maryland
    © REUTERS / NIAID / Handout
    Micrografia eletrônica colorida de uma célula infectada com partículas do SARS-COV-2

    Contudo, ainda não há nenhuma sugestão de que a Spike D614G seja mais mortal que o coronavírus original. O grande problema causado por múltiplas formas de vírus tem a ver com imunidade e vacinação.

    Além disso, o desenvolvimento de uma vacina depende do design dos anticorpos para corresponder perfeitamente a espigas específicas do lado de fora do vírus. Se estas estiverem mutadas, qualquer vacina potencial pode não ser específica o suficiente para atingir essa cepa, e o recebimento da vacina não forneceria garantia de imunidade.

    Tema:
    Pandemia da COVID-19 e o mundo no início de maio (100)

    Mais:

    Coronavirus pode danificar proteína que transporta oxigênio no sangue, diz cientista italiana
    Cientista russo revela a melhor forma de conseguir imunidade ao coronavírus
    Especialista explica por que nenhuma vacina conseguirá parar o coronavírus
    Tags:
    mortalidade, contaminação, não-proliferação, contágio, COVID-19, novo coronavírus
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar