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    O novo coronavírus atinge os vasos sanguíneos, levando à falência de vários órgãos. Fumantes e pessoas com condições pré-existentes são os mais afetados.

    A COVID-19 pode causar falência de múltiplos órgãos após o vírus atacar o revestimento dos pequenos vasos sanguíneos do corpo, revela um estudo da revista Lancet.

    As autópsias mostram que os fumantes e aqueles com condições pré-existentes, ou seja, obesidade e distúrbios cardiovasculares como hipertensão, têm sido os mais afetados ao pegar o vírus.

    O estudo citou três casos, que revelaram que elementos virais permaneceram em células endoteliais no revestimento dos vasos sanguíneos, além de células inflamatórias em pacientes que sofriam da doença.

    Autópsias realizadas em outras vítimas do coronavírus mostraram que os vasos sanguíneos tinham grande presença de vírus, prejudicando as funções de circulação sanguínea em todos os órgãos, de acordo com o pesquisador principal do estudo, Frank Ruschitzka.

    O autor da contribuição, presidente do centro cardíaco e do departamento de cardiologia do Hospital Universitário de Zurique, Suíça, disse que o vírus não só atacou os pulmões, mas também "os vasos sanguíneos em todos os lugares".

    "Ele entra no endotélio [camada de células], que é a linha de defesa dos vasos sanguíneos. Com isso, ele enfraquece as defesas e causa problemas na microcirculação", disse.

    Ruschitzka acrescentou: "Pelo que vemos clinicamente, os pacientes têm problemas em todos os órgãos, no coração, nos rins, no intestino, em todos os lugares".

    Os três casos incluem um paciente de 71 anos com doença arterial coronária e hipertensão arterial, que morreu após falência de múltiplos órgãos, com uma autópsia confirmando elementos virais no revestimento dos vasos sanguíneos, juntamente com células inflamatórias no coração, pulmões e outros, resultando no bloqueio de pequenos vasos sanguíneos".

    Micrografia eletrônica digitalmente colorida de uma célula VERO E6 (azul) fortemente infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (verde)
    Micrografia eletrônica digitalmente colorida de uma célula VERO E6 (azul) fortemente infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (verde)

    A segunda vítima, com 58 anos de idade, que sofria de diabetes e obesidade, morreu por redução do fluxo sanguíneo no intestino delgado, incluindo a inflamação do revestimento dos vasos sanguíneos em numerosos órgãos vitais, como pulmões, fígado e rins.

    Bom tratamento é vital

    De acordo com a recomendação de vacinação e tratamento da inflamação do endotélio, Ruschitzka acrescentou que era vital fortalecer a saúde cardiovascular.

    O pesquisador concluiu: "Todos os pacientes de risco e idosos devem ser muito bem tratados para as condições cardiovasculares subjacentes. Quanto melhor forem tratados, maior será a probabilidade de sobreviverem à infecção COVID-19".

    No mundo já se registraram mais de 2,5 milhões de casos, com mais de 178.000 mortes relatadas nos vários países. Os Estados Unidos lideram atualmente como o novo epicentro da doença, com mais de 825.000 casos e mais de 45.000 mortes, com 17.200 casos registrados somente em Nova York, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA).

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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)

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    Tags:
    Suíça, Universidade Johns Hopkins, COVID-19
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