10:34 27 Maio 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 60
    Nos siga no

    Em um novo estudo, pesquisadores reforçaram fortemente a teoria de que a falta de oxigênio nos oceanos da Terra contribuiu para extinção em massa da vida marinha há 444 milhões de anos.

    O estudo, da autoria de uma equipe internacional liderada pela Universidade de Stanford (EUA) e publicado em 14 de abril na revista Nature, indica ainda que essas condições anóxicas (pouco a nenhum oxigênio nos oceanos) duraram mais de três milhões de anos, significativamente mais do que eventos anóxicos oceânicos similares causadores de extinções em massa.

    Além de aprofundar o entendimento dos antigos eventos de extinção em massa, as descobertas têm relevância para os dias de hoje, quando as mudanças climáticas globais estão contribuindo para a diminuição dos níveis de oxigênio no mar aberto e nas águas costeiras, em um processo que provavelmente condenará à extinção muitas espécies.

    "Nosso estudo tem eliminado muitas das incertezas remanescentes sobre a extensão e intensidade das condições anóxicas durante uma extinção em massa que ocorreu há centenas de milhões de anos", disse o autor principal Richard George Stockey.

    O estudo centrou-se em um evento conhecido como a Extinção do Ordoviciano-Siluriano, que compreendeu dois momentos de extinção, separados por um milhão de anos, tendo sido a segunda maior extinção da vida marinha.

    Esta extinção está incluída entre os cinco maiores eventos de extinção em massa da história da Terra, lista essa encabeçada pela Extinção do Cretáceo-Paleogeno que dizimou os dinossauros há cerca de 65 milhões de anos.

    Mundo d'água

    No início da Extinção do Ordoviciano-Siluriano, há cerca de 450 milhões de anos, o mundo era um lugar muito diferente do que é hoje. A grande maioria da vida concentrava-se nos oceanos, com as plantas apenas começando a aparecer em terra. A maioria dos continentes modernos estavam unidos em um único supercontinente, chamado Gonduana.

    O evento de extinção começou devido a um resfriamento global provocado por glaciares em grande parte de Gonduana.

    Representação artística da morte de um dinossauro no desastre de Chicxulub, no México
    © Foto / Robert DePalma
    Representação artística da morte de um dinossauro no desastre de Chicxulub, no México

    Há aproximadamente 444 milhões de anos, uma segunda onda foi atribuída, embora de forma inconclusiva, a um evento anóxico oceânico. Cerca de 85% das espécies marinhas desapareceram devido à escassez de oxigênio nas águas.

    Pesquisadores analisaram especificamente este segundo momento. A equipe procurou eliminar a incerteza que ainda pairava sobre onde nos mares da Terra ocorreu uma escassez de oxigênio – problema tão crítico para a biologia oceânica daquela época como o é agora – bem como em que extensão e por quanto tempo.

    Estudos prévios analisaram concentrações de oxigênio oceânico através de análises de sedimentos antigos contendo isótopos de metais como urânio e molibdênio, que sofrem diferentes reações químicas em condições anóxicas.

    Evidência elementar

    Stockey liderou a construção de um novo modelo que incorporou dados de isótopos metálicos previamente publicados, bem como novos dados de amostras de xisto negro provenientes da bacia de Murzuq na Líbia, e depositadas no registro geológico durante a extinção em massa.

    Os cientistas concluíram que a anóxia severa e prolongada do oceano deve ter ocorrido em grandes volumes de fundos oceânicos da Terra.

    "Graças a esse modelo, podemos dizer com confiança que um longo e profundo evento anóxico global provocou uma extinção em massa no período Ordoviciano tardio", escreve Sperling, acrescentando que naquela época, os oceanos eram um péssimo lugar para se manter vivo.

    Efeitos sobre biodiversidade

    As lições do passado sugerem que a desoxigenação cada vez mais documentada nos oceanos modernos, em particular nas encostas superiores das plataformas continentais que agrupam grandes massas terrestres, irá colocar tensão em muitos tipos de organismos, sendo ameaçados de extinção.

    "Não tem como as condições de baixa oxigenação não terem um efeito severo sobre a diversidade", afirma Stockey.

    Dessa forma, além de lançarem luz sobre a Terra de 444 milhões de anos atrás, os resultados do estudo podem ajudar os pesquisadores a estudar melhor a Terra como ela é nos dias de hoje.

    "Na verdade, temos um grande problema de oxigenação no oceano moderno", disse Sperling. "E ao aprofundar o nosso conhecimento sobre como os oceanos se comportaram no passado, poderíamos conseguir algumas pistas sobre os oceanos de hoje", concluiu o cientista.

    Mais:

    Escuridão teria ocasionado extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos, aponta estudo
    Fóssil da era dos dinossauros, 'Galinha maravilha' traz revelação sobre aves modernas (FOTO)
    Extinção em massa: surge mais evidência de que asteroide acabou de vez com dinossauros
    Tags:
    Terra, oxigênio, vida marinha, extinção
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar