21:31 24 Outubro 2020
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    Os cientistas que estudam novo coronavírus SARS-CoV-2 dizem que ele não parece estar mutando rapidamente, o que significa que uma vacina desenvolvida para a doença ofereceria proteção a longo prazo.

    Alguns vírus sofrem mutações múltiplas à medida que se replicam dentro das células hospedeiras.

    Contudo, Peter Thielen, geneticista molecular do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, EUA, referiu em declarações ao jornal Washington Post que parece haver apenas quatro a 10 diferenças genéticas entre várias estirpes do SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19.

    "É um número relativamente pequeno de mutações por ter passado por um grande número de pessoas", disse Thielen. "Neste momento, a taxa de mutação do vírus sugere que a vacina desenvolvida para o SARS-CoV-2 seria uma única vacina, em vez de uma nova vacina todos os anos, como a vacina da gripe."

    Assim, uma vacina contra o coronavírus seria provavelmente semelhante às vacinas contra o sarampo ou a varicela, vacinas únicas que não precisam mudar.

    "Eu esperaria que uma vacina contra o coronavírus tivesse um perfil semelhante a essas vacinas. É uma ótima notícia", disse Thielen.

    Dois outros cientistas nos EUA, Stanley Perlman, da Universidade de Iowa, e Benjamin Neuman da Universidade A&M do Texas, em Texarkana, também confirmaram ao WP que o vírus parece ser estável.

    "O vírus não sofreu nenhuma mutação significativa", observou Perlman.

    "Apenas uma cepa 'muito ruim' para todos até agora. Se ainda estiver por aí em um ano, por essa altura poderemos ter alguma diversidade", disse Neuman, acrescentando que a gripe é muito mais suscetível à mutação.

    O pesquisador da Universidade A&M detalhou as diferenças entre as infeções.

    "A gripe tem um truque na manga que os coronavírus não têm. O genoma do vírus da gripe é dividido em vários segmentos, cada um dos quais codifica um gene. Quando dois vírus da gripe estão na mesma célula, eles podem trocar alguns segmentos, potencialmente criando uma nova combinação instantaneamente. Foi assim que surgiu a gripe 'suína' H1N1."

    Outras pesquisas

    Devido ao fato que o desenvolvimento da vacina para COVID-19 pode levar entre 12 e 18 meses, os pesquisadores estão se esforçando para encontrar outros tratamentos. Um dos métodos que está mostrando resultados promissores é a combinação da hidroxicloroquina antimalárica e o antibiótico azitromicina.

    Vírus SARS-CoV-2 sob microscópio eletrônico Cryo-EM, que analisa amostras a temperaturas criogênicas
    Vírus SARS-CoV-2 sob microscópio eletrônico Cryo-EM, que analisa amostras a temperaturas criogênicas

    Segundo um estudo realizado por pesquisadores da IHU-Méditerranée Infection em Marselha, França, os pacientes que tomaram esses dois medicamentos juntos "mostraram uma redução significativa do porte viral" seis dias após o início do tratamento e uma "duração média de porte muito mais baixa" em comparação com os pacientes não tratados.

    Outro tratamento potencial é o "plasma convalescente", no qual doações de plasma de sobreviventes do coronavírus são infundidas em um paciente que está sofrendo do mesmo.

    "É possível que o plasma convalescente que contém anticorpos do SARS-CoV-2 possa ser eficaz contra a infecção", escreveu a Administração de Alimentos e Drogas (FDA na sigla em inglês) dos EUA em um comunicado de terça-feira (24) no qual anunciou a aprovação de um protocolo de emergência que permite aos médicos realizarem o procedimento para doentes em estado crítico.

    A Universidade Johns Hopkins rastreia o número de pessoas afetadas pelo novo coronavírus mundialmente, registrando até o momento mais de 487.000 casos da COVID-19, mais de 22.000 pessoas mortas e mais de 117.000 recuperações em 175 países.

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    Tags:
    Food and Drugs Administration (FDA), Universidade Johns Hopkins, EUA
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