13:36 06 Abril 2020
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    Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, detectaram sete novos comportamentos defensivos em falsas-corais, um dos quais pela primeira vez em serpentes brasileiras.

    Em um estudo publicado em 19 de março na revista Neotropical Biology and Conservation, um grupo de cientistas brasileiros da Universidade Federal de Viçosa (MG) identificou dez diferentes comportamentos defensivos da Oxyrhopus rhombifer, sete dos quais registrados pela primeira vez para a espécie.

    A Oxyrhopus rhombifer é uma espécie de cobra da família Dipsadidae com padrões de anéis coloridos pelo corpo, muito semelhantes à coral-verdadeira, o que a fazem ser conhecidas como falsa-coral, distribuindo-se o seu habitat pelo Brasil e alguns países limítrofes.

    Comportamentos antipredadores

    Mecanismos antipredadores podem ser exibidos sob a forma de comportamentos evasivos como defensivos. Entre os mecanismos antipredadores já anteriormente conhecidos da falsa-coral, contam-se a descarga cloacal, achatamento do corpo, movimentos de luta, comportamentos erráticos e simulação da cabeça.

    A falsa-coral pode ser capaz de reconhecer níveis de ameaça e demonstrar 10 comportamentos defensivos diferentes

    Os cientistas, recorrendo a um macho juvenil capturado na Mata Atlântica do Sudeste brasileiro, simularam em laboratório ataques de predador com níveis de ameaça crescente.

    "Soltamos a cobra na bancada do laboratório e deixamos que ela notasse nossa presença. O animal permaneceu imóvel no início, depois realizou um pronunciado achatamento dorsoventral da parte anterior do corpo, levantou a cauda, adotou uma postura em forma de S, levantou o primeiro terço do corpo e realizou breves vibrações corporais", afirmou Clodoaldo Lopes de Assis, autor principal do estudo.

    Quando os pesquisadores se aproximaram de repente da cobra, o réptil adotou a mesma postura e as mesmas vibrações corporais. Quando tocado, o animal recorreu a movimentos erráticos, golpes falsos e fuga locomotora.

    "Quando manuseada, a serpente só lutava", acrescentou Lopes de Assis.

    Entre os dez tipos de comportamento registados, apenas três estavam entre os já registados para esta espécie. Diminuindo as respostas defensivas nas serpentes à medida que o tamanho do corpo aumenta, os juvenis apresentam um conjunto mais amplo de comportamentos defensivos do que os adultos. Assim, alguns dos tipos de comportamento descritos poderiam ser explicados ou por restrições físicas ou pela etapa de desenvolvimento do indivíduo.

    Imita a coral-verdadeira

    Alguns comportamentos detectados assemelham-se aos das corais-verdadeiras do gênero Micrurus, extremamente venenosas.

    Falsa-coral é capaz de reconhecer diferentes níveis de ameaça impostos por predadores e selecionar um de seus 10 comportamentos defensivos em conformidade

    Os cientistas adiantam que esta semelhança pode estar ligada à hipótese de mímica entre estes dois grupos, aproveitando as falsas-corais inofensivas a sua semelhança com as corais-verdadeiras para, intimidando, se defenderem.

    Outro tipo de mecanismo vislumbrado, o das vibrações do corpo, era um comportamento completamente desconhecido nas serpentes brasileiras, sendo registrado pela primeira vez.

    "A Oxyrhopus rhombifer pode ser capaz de reconhecer diferentes níveis de ameaça impostos pelos predadores e ajustar o seu comportamento defensivo em conformidade", destaca Lopes de Assis.

    Por isso, as estratégias defensivas do espécime diferiram de acordo com o nível de ameaça imposto: desde o comportamento desencorajador até as falsas mordidas, movimentos erráticos e fuga locomotora, concluiu o estudo.

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    Tags:
    Brasil, serpentes, cobras
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