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    Antropólogo norte-americano faz novas considerações sobre um enigma que tem fascinado os cientistas - o planalto de Marcahuasi, no Peru.

    Marcahuasi é um planalto na Cordilheira dos Andes, localizado a 60 km a leste da capital do Peru e a 4.000 metros acima do nível do mar, sendo mundialmente conhecido por suas formas rochosas maciças em granito que lembram rostos humanos e animais.

    A questão de se saber se estamos perante vestígios de uma civilização antiga perdida ou meramente de uma pitoresca formação rochosa tem intrigado os cientistas há muito.

    Rocha modelada pelo vento em forma de cabeça humana em Marcahuasi, Peru
    © CC BY-SA 3.0 / Arístides Herrera Cuntti
    Rocha modelada pelo vento em forma de cabeça humana em Marcahuasi, Peru

    Caleb Strom, investigador da Universidade da Dakota do Norte (EUA), abordou o assunto em um artigo publicado no dia 19 de março no portal Ancient Origins.

    Segundo o antropólogo, o mundo está cheio de maravilhas difíceis de explicar e de mistérios por desvendar. Somente no século passado, por exemplo, foi descoberta a Civilização Hitita, uma das mais relevantes da Antiguidade.

    Hoje, face aos avanços da arqueologia, não é raro descobrirem-se novas civilizações. Seriam então as formações rochosas de Marcahuasi vestígios de uma civilização antiga ou seriam apenas resultado da erosão geológica?

    O mito nasceu com as pesquisas do arqueólogo autodidata peruano Daniel Ruzo, que explorando anos a fio a região, afirmou ter encontrado centenas de esculturas de rostos humanos, assim como figuras de animais como camelos, leões, focas e sapos.

    Garantiu igualmente que algumas esculturas pareciam mudar sua forma em diferentes momentos do dia e do ano, dependendo de como a luz do Sol incidia sobre elas. Segundo ele, uma escultura podia parecer uma rã e, em outra parte do ano, uma ave.

    Civilização Masma

    Ruzo acreditava que eram vestígios de uma civilização global chamada Masma, que viria a ser destruída em um cataclismo.

    Isso explicaria, segundo ele, por que algumas das figuras pareciam ter origem em outros continentes, tais como animais não nativos da América do Sul, divindades egípcias e uma rainha aparentemente africana.

    Apesar de a maioria dos arqueólogos acreditar que se trata de formações rochosas naturais, a polêmica continua, com muitos teóricos insistindo que as rochas foram artificialmente modificadas.

    Além das esculturas, alguns exploradores dizem ter encontrado outros vestígios de ocupação humana, como habitações.

    Storm defende que, apesar de isso poder representar prova da presença humana sustentada na área, duvida que as formações rochosas sejam de fato monumentos ou que alguma vez tenha existido uma urbe na área, alegando a falta de um levantamento arqueológico sério.

    Questionando as afirmações

    A maioria dos estudos sobre Marcahuasi indica não haver nenhuma evidência de que um grande assentamento humano tenha existido na área, tanto mais que não foram encontradas ferramentas, despojos humanos, ornamentos, estatuetas, artefatos intermediários e outros itens arqueológicos.

    Planalto de Marcahuasi, Peru
    Planalto de Marcahuasi, Peru

    Por isso, se as rochas são realmente restos de monumentos, então elas seriam a única evidência de ter existido uma sociedade complexa em Marcahuasi, alega Storm, salientando ainda que continua por efetuar um exaustivo e completo levantamento arqueológico da região.

    O investigador refere que é difícil distinguir as pretensas estátuas de formações rochosas naturalmente afetadas pela erosão ao longo do tempo.

    Segundo ele, o que distingue a arte da natureza é a clareza com que representa algo e por ser deliberadamente criada pela mão humana.

    Se as formas das esculturas de Marcahuasi são tão propícias a interpretações diferentes, isso leva a questionar se se estará perante uma civilização ou se tudo não será imaginação, conclui o investigador.

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    Tags:
    civilizações antigas, civilização, Peru
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