11:00 21 Abril 2021
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    4128
    Nos siga no

    A Empresa de Telecomunicações Celulares do Irã realizou acordos com empresas internacionais para comprar equipamento informático apesar das sanções impostas pelos EUA.

    A fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei enviou equipamentos fabricados nos EUA para o Irã, não obstante as sanções comerciais, informou a Reuters, citando documentos internos da empresa.

    Em 2012, uma empresa ligada à Huawei Technologies se ofereceu para vender equipamento informático da Hewlett-Packard (HP) à Empresa de Telecomunicações Móveis do Irã (MCI). A Huawei confirmou o acordo, mas negou que o equipamento tenha chegado ao cliente.

    Os documentos são datados de 2010 e incluem listas de envio que detalham servidores da HP, interruptores e matrizes de disco, bem como servidores e software da Microsoft, de acordo com a agência Reuters.

    Esse equipamento deveria ter chegado ao Irã, que na época estava sob rigorosas sanções de exportação dos EUA relacionadas ao seu programa nuclear. A Reuters diz que também analisou um documento interno da Huawei confirmando que o equipamento tinha chegado ao seu destino. A agência não diz se se refere a todo o equipamento supostamente destinado ao transporte.

    A MCI, o maior operador móvel do Irã, teria assim sido o maior cliente da Huawei.

    'Subsidiária não oficial' da Huawei

    Esta não é a primeira vez que as relações da Huawei com a MCI vêm à tona. Houve relatos em 2012 e 2013 sugerindo que uma empresa sediada em Hong Kong chamada Skycom Tech, que se pensava ter laços estreitos com a Huawei, tinha tentado vender à MCI pelo menos US$ 1,45 milhões (R$ 4,68 milhões) de equipamento da empresa de tecnologia HP, embargado em 2010.

    A Reuters na época citou o que chamou de lista de preços incluída em uma proposta conjunta da Huawei e da Skycom para expandir o sistema de faturamento da MCI. A Huawei confirmou que a Skycom tinha feito a proposta, mas negou que os produtos da HP tivessem realmente sido enviados para a MCI. Os novos documentos, se verdadeiros, lançam dúvidas sobre essa alegação.

    O caso dos EUA contra a Huawei

    A Skycom está agora entre os acusados no processo do Departamento de Justiça dos EUA contra a Huawei, aí descrito como a "subsidiária não oficial" da gigante de telecomunicações chinesa.

    Como parte dessa acusação, a diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, filha do fundador da empresa, é acusada de usar a Skycom para fazer negócios no Irã e enganar os bancos ocidentais ao tirar o dinheiro do Irã.

    Logo da empresa Huawei (imagem referencial)
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Logo da empresa Huawei (imagem referencial)

    Wanzhou foi presa no Canadá em dezembro de 2018 e está atualmente lutando contra a extradição para os Estados Unidos, onde enfrentaria acusações de fraude, obstrução à justiça e roubo de segredos comerciais (esta última decorre de um caso separado). Tanto Wanzhou como a Huawei negam as acusações.

    A Huawei recusou-se a comentar as conclusões da Reuters, citando os procedimentos em curso. Um porta-voz da empresa disse que "está empenhada em cumprir todas as leis e regulamentos aplicáveis nos países e regiões onde operamos, incluindo todas as leis e regulamentos de controle e sanções de exportação da ONU, EUA e UE". A MCI não quis comentar o assunto.

    A HP, que foi referida em 2015 como tendo feito milhões com a venda de seus produtos ao Irã através de uma subsidiária, disse: "Os nossos termos contratuais proibiam a venda destes produtos ao Irã e exigiam que os nossos parceiros cumprissem todas as leis e regulamentos de exportação aplicáveis."

    Os novos documentos podem reforçar o argumento norte-americano contra a Huawei: a administração Trump avançou sobre a empresa em todas as frentes, fechando-a ao mercado dos EUA e fazendo lobby junto aos aliados para bani-la da instalação das redes 5G recém-criadas, por alegações de espionagem, o que a Huawei nega.

    Os críticos têm argumentado que a razão subjacente à perseguição norte-americana contra a Huawei não é o medo de espionagem, mas a tentativa de refrear o crescente domínio econômico e tecnológico da China.

    Mais:

    Analista explica porque sanções contra Huawei falham em 'afundar' empresa
    EUA acusam Huawei de roubar tecnologia americana há décadas
    Será que Google vai se arrepender de ter rompido com Huawei?
    Tags:
    SkyCom, Microsoft, Reuters, Hewlett-Packerd, Huawei, EUA, Irã
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar