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    Cientistas norte-americanos, escoceses e alemães deram importantes passos para desvendar a enigmática história da atmosfera de Marte e se alguma vez houve vida no Planeta Vermelho.

    Em um estudo publicado quarta-feira (26) no portal Science Advances, pesquisadores de universidades norte-americanas, escocesa e alemãs mostram como esses passos poderiam ajudar os astrobiólogos a compreender a alcalinidade, pH e teor de nitrogênio das águas antigas de Marte, e a composição de dióxido de carbono da antiga atmosfera do planeta.

    Houve vida em Marte?

    Para os cientistas, o planeta Marte de hoje é demasiado frio para poder ter água líquida em sua superfície, um requisito para que haja vida tal como a conhecemos.

    "O que nos move não é saber se existe vida em Marte nos dias de hoje", disse Tim Lyons, um dos autores do estudo.

    "Em vez disso, questionamos se haveria vida em Marte há bilhões de anos, o que parece ser bastante mais provável", acrescentou.

    É que "existem provas surpreendentes de que Marte tinha oceanos de água líquida há cerca de quatro bilhões de anos", observou Lyons.

    Cratera em Marte (imagem referencial)
    © Foto / Pixabay / Aleksandr Antropov
    Cratera em Marte (imagem referencial)

    Tal fato intriga os astrobiólogos, pois Marte está mais longe do Sol do que a Terra, e há bilhões de anos o Sol gerava menos calor do que hoje.

    "Para ter feito o planeta aquecer o suficiente para haver água líquida na superfície, sua atmosfera provavelmente precisaria de uma quantidade imensa de gás de efeito estufa, especificamente dióxido de carbono", explicou Chris Tino, coautor do artigo.

    A solução do enigma estaria em uma cratera na Alemanha?

    Uma vez que obter uma amostra da atmosfera de Marte de quatro bilhões de anos é impossível, a equipe logrou descobrir um local na Terra cuja geologia e química têm semelhanças com a superfície marciana.

    Esse local é a cratera Nördlinger Ries, no sul da Alemanha.

    Cratera de Nördlinger Ries, Alemanha
    © Foto / Pixabay / H. Raab
    Cratera de Nördlinger Ries, Alemanha

    Formada há cerca de 15 milhões de anos após ter sido atingida por um meteorito, a cratera de Ries apresenta camadas de rochas e minerais similares às de Marte.

    A sonda da NASA Ries Mars 2020, por sua vez, irá pousar em uma cratera antiga bem estruturada e bem preservada em Marte.

    Ambos os lugares apresentavam água líquida em seu passado distante, tornando suas composições químicas comparáveis.

    Segundo Tino, é improvável que Marte tivesse oxigênio suficiente para hospedar formas de vida complexas como humanos ou animais.

    No entanto, alguns microrganismos poderiam ter sobrevivido se a água de Marte da antiguidade tivesse um nível de pH neutro e fosse altamente alcalina. Essas condições implicam dióxido de carbono suficiente na atmosfera – talvez milhares de vezes mais do que o que cerca a Terra hoje – para aquecer o planeta e tornar a água líquida possível.

    Dados obtidos na cratera parecem indicar que níveis muito elevados de dióxido de carbono tornariam a água líquida possível e talvez até algumas formas de vida microbiana.

    Foram assim dados importantes passos para ajudar a resolver o mistério de longa data de como o planeta Marte, localizado tão longe de um Sol à época tênue, poderia ter sido suficientemente quente para haver nele oceanos e talvez vida.

    Contudo, os dados da pesquisa só poderão ser confrontados com os da sonda Mars 2020 daqui a uns 10 a 20 anos, quando as amostras forem trazidas de Marte para a Terra.

    "Mas estou encantado por saber que talvez tenhamos contribuído [com algo] para quando estas amostras [chegarem]", concluiu Lyons.

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    Tags:
    cratera, NASA, Espaço, Marte, ciência
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