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    A inscrição, gravada há 250 anos em uma rocha na região francesa da Bretanha, pôde finalmente ser decifrada graças a um concurso lançado pelo município.

    O mistério, que há muitos anos intrigava a comunidade científica e curiosos de todo o mundo, foi finalmente decifrado na segunda-feira (24), revelou o jornal francês Le Monde.

    Situada em uma zona rochosa de costa acessível somente durante a maré baixa, a pedra está inteiramente gravada em toda a sua face exposta ao mar.

    São visíveis inscrições aparentemente aleatórias, a maioria em letras maiúsculas, mas também gravuras, incluindo um barco à vela com mastro e leme.

    Noel René Toudic, à esquerda, e Robert Faligot posam perto da misteriosa rocha, 24 de fevereiro de 2020
    © AP Photo / FRED TANNEAU
    Noel René Toudic, à esquerda, e Robert Faligot posam perto da misteriosa rocha, 24 de fevereiro de 2020

    Existem também datas, incluindo 1786 e 1787, que correspondem aproximadamente aos anos de construção das várias fortificações que protegiam o porto de Brest, capital do departamento francês da Finisterra, na Bretanha.

    "ROC AR B… DRE AR GRIO SE EVELOH AR VIRIONES BAOAVEL… R I ...OBBIIE RISBVILAR… FROIK… AL", escreveu alguém na pedra, aparentemente sem sentido.

    Um marinheiro que pereceu no mar

    "Hoje demos um grande passo", exultou Dominique Cap, prefeito de Plougastel-Daoulas, perto de Brest, depois de revelar, em uma coletiva de imprensa, os nomes dos vencedores conjuntos deste concurso de ideias que pretendia desvendar as inscrições.

    As duas hipóteses vencedoras coincidem na tese de se tratar da homenagem a um marinheiro falecido feita por um parente seu e escrita em bretão.

    O bretão é uma língua celta ainda hoje falada em certas zonas da região francesa da Bretanha.

    2.000 pedidos de participação

    O concurso, que visava decifrar o enigma, ganhou o interesse de cerca de 2 mil pessoas, oriundas dos quatro cantos do mundo.

    Ao final, foram selecionados 600.

    O júri, composto principalmente por historiadores, selecionou duas hipóteses entre as 61 selecionadas, a maioria delas da França, mas também do Brasil, EUA, Tailândia, Rússia, Espanha, Itália e Emirados Árabes Unidos.

    As duas hipóteses adiantadas

    "[...] Serge morreu no ano passado estando mal treinado para navegar e o seu barco virou com o vento [...]", hipótese avançada por Noel René Toudic, graduado em estudos celtas, que evoca um soldado, Serge Le Bris, que teria perecido no mar durante uma tempestade. Outro soldado, Grégoire Haloteau, teria gravado o texto em homenagem ao falecido.

    Toudic atribui à sua tese 80% de hipóteses de exatidão.

    A segunda hipótese baseia-se também no fato de ser um texto em bretão, mas propõe "uma abordagem histórica e não apenas linguística", segundo os seus autores, Roger Faligot, escritor, e Alain Robet, desenhista.

    Ambos avançam com uma tradução diferente da inscrição: "Que aflição se ver de repente na marinha em meio a uma terrível tempestade", adianta o portal RTL.fr.

    "Há ainda um longo caminho a percorrer para desvendar completamente o mistério", disse Cap, acrescentando que algumas partes do texto não puderam ainda ser decifradas, e que ainda falta identificar sem margem para dúvidas os dois soldados.

    O município pretende agora valorizar a rocha, tornando-a mais acessível a turistas e fazendo uma reprodução da mesma para o Museu Municipal.

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    Tags:
    mistério, enigma, Bretanha, França, arqueologia
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