14:42 30 Outubro 2020
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    O estranho fenômeno que há décadas intrigava a população e a ciência, e que levava a afundamentos sistemático de carros, foi finalmente desvendado.

    O lago Baikal, com mais de 600 km de extensão, é o mais profundo lago de água doce do mundo, situando-se na Sibéria, Rússia, não muito longe da fronteira com a Mongólia.

    Enormes anéis de gelo com diâmetro variando entre 5 e 7 km que surgem na superfície gelada do lago Baikal durante o inverno e a primavera siberiana, há décadas vêm intrigando os habitantes das imediações do lago.

    O fenômeno tem sido igualmente objeto de curiosidade e estudos da comunidade científica, sem que se tenha logrado uma explicação cabal para a formação dos anéis.

    As hipóteses inicialmente adiantadas são de poderem ter origem em bolhas de metano que subiriam do fundo do lago ou em condições atmosféricas muito específicas, mas não foram confirmadas.

    Há registros do fenômeno no Baikal pelo menos desde 1969, com anéis que duram uns dias, outros vários meses.

    O aparecimento dos anéis é imprevisível, surgindo em diversos pontos do lago e invariavelmente todos os anos, informa o portal Live Science.

    Desde 2010 que um grupo de cientistas russos, franceses e mongóis uniram esforços e se empenharam em desvendar o mistério.

    Realizando perfurações no gelo e colocando sensores na água, apuraram a existência de redemoinhos debaixo da superfície congelada, onde a temperatura da água era de um a dois graus Celsius superior à registrada ao redor dos anéis.

    As correntes não são fortes no centro do fenômeno, o que explica uma maior espessura de gelo no núcleo do anel, sendo mais fina nas bordas.

    Dados captados por 380 sensores e imagens de infravermelho obtidas por satélite mostram que os redemoinhos se formam na água durante o outono boreal antes do congelamento do lago. Fortes ventos desde uma das baías criam redemoinhos e formam os anéis no momento em que a água congela.

    A espessura do gelo no lago Baikal durante o inverno é tanta que os motoristas mais audaciosos encurtam suas viagens, cortando caminho sobre o gelo.

    Este hábito tem levado a muitos afundamentos de veículos e perdas humanas.

    Lago Baikal (foto de referência)
    © Foto / Pixabay / Jacqueline Macou
    Lago Baikal (foto de referência)

    Por essa razão, adverte o autor principal do estudo, Aleksei Kuraev da Universidade de Toulouse-III na França, para o perigo de os anéis, pela sua extensão, serem invisíveis a olho nu, representando autênticas armadilhas para os motoristas.

    Por isso, ele e o seu grupo de cientistas têm mantido atualizado uma página na Internet com a localização dos diferentes anéis, valendo-se de imagens de satélite, para que os motoristas consigam contorná-los.

    Fenômenos semelhantes foram detectados pela equipe de cientistas no lago Hovsgol, na Mongólia, e no lago Teletskoe na república de Altai, na Rússia.

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    Tags:
    redemoinhos, geofísica, fenômeno, Lago Baikal, Sibéria
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