15:23 22 Janeiro 2020
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    Cientistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) analisaram a estrutura psicológica da catarse e destacaram diversas variedades da catarse ligadas a diversos mecanismos psicológicos.

    Eles acreditam que a pesquisa pode vir a ser uma contribuição importante para a psicologia da arte e que seus resultados podem ser usados em consultas psicológicas que usam a experiência de percepção de obras de arte. O artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Kulturno-Istoricheskaya Psikhologia.

    Caminho da autorrenovação

    O fenômeno da catarse era conhecido já nos tempos de Aristóteles (384-322 a.C.), mas a sua importância psicotécnica permanece pouco estudada. A definição tradicional da catarse o considera como um efeito da contemplação de uma obra de arte ligado à purificação da alma.

    Os especialistas da UEPPM quiseram analisar a estrutura psicológica e a importância psicotécnica da catarse. Eles dizem que sua pesquisa se distingue pela definição de diversas variedades funcionais da catarse. O método usado por eles baseia-se nas ideias de Lev Vygotsky na área da análise da experiência estética.

    Os pesquisadores afirmam que a distinção destes tipos, baseados em mecanismos psicológicos diferentes, pode vir a ser uma contribuição importante para a psicologia da arte e ser usada na arteterapia e na artepedagogia.

    Os cientistas distinguiram quatro fases que formam a estrutura da catarse: excitação (pathos), concentração ("fusão" com o personagem da obra), transcendência ("saída dos limites de si próprio") e o "regresso a si", ou seja, uma autorrenovação reflexiva em resultado da experiência estética.

    A análise psicológica da estrutura da catarse visa responder à pergunta sobre o que faz possível esta transição final: desde o contato com algo, talvez com o Absoluto, até à descoberta de uma nova e mais complexa essência de si mesmo. Os pesquisadores estão seguros que as atividades reflexivas desempenham o papel principal neste processo.

    Catarse: suspensão e retorno

    Levando em conta estas fases da catarse e com base em dados de pesquisas sobre arte, os especialistas analisaram a estrutura da experiência catártica com obras de Caravaggio e Rembrandt.

    "Os profissionais costumam considerar que Caravaggio coloca o espectador na posição de testemunha acidental, fazendo-o sentir compaixão e preocupação pelo personagem no momento de um extremo emocional, para que depois ele se sinta incomodado e até com sentimento de culpa por ter visto algo que não devia", explica Dmitry Lubovsky, professor do Departamento de Psicologia Pedagógica da Faculdade de Psicologia da Educação da UEPPM.

    Os autores da pesquisa acreditam que a criação deste incômodo é uma técnica que permite suspender a catarse, ou seja, evitar a terminação reflexiva. Os autores propõem chamar este tipo de experiência catártica, com suspensão no momento de maior intensidade do contato emocional com a obra, de "catarse patética".

    Já as obras de Rembrandt não contêm afetação, diz a professora do Departamento de Psicologia Pedagógica Marina Ermolaeva: as emoções mais fortes não são expressadas por mímica, sendo vividas em silêncio. Os personagens deste pintor não demonstram sentimentos fortes, contudo as imagens representadas produzem uma avalanche de sentimentos e significados no próprio espectador.

    O encontro do personagem-autor com o espectador no espaço dos quadros de Rembrandt cria uma contemplação interior. Os pesquisadores da UEPPM consideram que a maneira de pintar do autor, que permite representar toda a vida de uma pessoa, com todo seu sistema de significados vitais e sem excesso de emocionalidade, facilita a autorrenovação no espectador e permite definir mais um tipo de experiência estética, a qual os cientistas chamaram de "catarse reflexiva".

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    Tags:
    psicologia, ciência, arte
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