07:05 03 Agosto 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    Por
    4160
    Nos siga no

    A Agência Espacial Europeia (ESA) irá lançar da base de Kourou, na Guiana Francesa, um novo satélite que vai ajudar a mapear exoplanetas - os planetas que se localizam fora do Sistema Solar.

    A missão é a primeira do tipo desenvolvida pela ESA. O CHEOPS funciona como um pequeno telescópio que tem como objetivo medir o brilho de estrelas com muita precisão.

    Quando um planeta passa em frente a uma estrela, bloqueia uma parte da luz do astro. E é esse momento, chamado pelos cientistas de trânsito planetário, que poderá fornecer uma série de informações valiosas.

    "Momentaneamente a estrela vai parecer um pouquinho menos brilhante. A quantidade de luz que é tapada pelo planeta depende do tamanho dele. Ao medirmos esse efeito, conseguimos determinar qual é o raio do planeta", explicou à Sputnik Brasil o pesquisador Nuno Santos, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que coordena a equipe portuguesa envolvida na missão.

    "Ao medirmos o tamanho, como já sabemos por outros métodos qual é a massa do planeta, nós vamos poder determinar a sua composição química. Isso nos dá uma série de informações muito valiosas para percebermos como é que os planetas se formaram", concluiu Santos.

    Pessoas filmando laçamento de satélites a partir do Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa (foto de arquivo)
    © AP Photo / Jody Amiet
    Pessoas filmando laçamento de satélites a partir do Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa (foto de arquivo)

    Onze países integram o projeto, coordenado pela Suíça. Coube a Portugal a criação das proteções externas da estrutura, para que o CHEOPS aguente a alta variação de temperatura do espaço, e o principal: o desenvolvimento do software que vai recolher os dados e do arquivo que vai armazenar todas as informações.

    "Os dados vêm do satélite para a terra, mas antes de serem analisados cientificamente precisam ser processados. Existem várias teorias para explicar como é que o nosso Sistema Solar e outros sistemas planetários evoluem no tempo. A pergunta que mais atrai a humanidade é ‘será que estamos sozinhos no Universo?' Para saber disso precisamos saber quais são os processos físicos que levam à formação dos planetas", explicou à Sputnik Brasil o pesquisador Sérgio Sousa, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, membro da equipe portuguesa.

    O CHEOPS pesa 280 quilos, mede um metro e meio de comprimento e vai ficar posicionado a 700 quilômetros de distância da Terra, em um ponto onde a luz do Sol será mínima para garantir um ambiente térmico estável, mas sem atrapalhar as medições noturnas.

    "Ele vai determinar se o planeta é feito de rochas como a nossa Terra, se é gasoso como Júpiter ou se é formado de gelo e gás como Netuno. As medições do CHEOPS também vão permitir estudar as atmosferas dos planetas, a luz que eles emitem e se tivermos sorte poderemos encontrar coisas que nunca foram encontradas, como luas a volta de planetas extrassolares ou anéis", disse o coordenador Nuno Santos.

    A missão está programada para três anos, mas, de acordo com Nuno Santos, já em 2020 pode haver bons resultados.

    "Os dados quando chegarem à Terra vão ser analisados pelo software e no fim o que vamos ter são curvas de luz, ou seja, como o brilho da estrela variou em função do tempo. Vai haver um período de dois, três meses, em que vão ser feitos testes, antes de começarmos a explorar cientificamente a missão, mas eu creio que a partir de março, abril, começarão a chover dados científicos que poderão quase que imediatamente dar resultados que se traduzem em publicações científicas".

    Mais:

    Exoplaneta gigante é detectado em órbita incomum, aponta estudo
    NASA descobre água congelada bem debaixo da superfície de Marte (FOTO)
    2 grandes mistérios do Universo podem ser desvendados por missão espacial
    Tags:
    vida extraterrestre, Sistema Solar, Agência Espacial Europeia (ESA), exoplaneta
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar