13:46 14 Dezembro 2019
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    Foto dos Alpes tirada a partir do espaço pelo cosmonauta russo Anton Shkaplerov

    Saiba como a vida persistiu quando Terra era uma 'bola de neve'

    © Foto / Roscosmos/Anton Shkaplerov
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    Uma superfície e oceano pouco oxigenados não impediram a proliferação de bactérias, e até mesmo de alguns seres vivos de hoje, como as esponjas.

    A vida não deixou de existir na Terra e até floresceu durante o período Criogênico, que começou há 720 milhões de anos, em que o planeta todo, incluindo os oceanos, parecia uma bola de neve. Um estudo, publicado na segunda-feira (2), relata como um grupo de cientistas foi capaz de explicar como a vida sobreviveu à glaciação de longa duração.

    O período Criogênico, no qual ocorreram dois eventos de glaciação geral, durou aproximadamente 95 milhões de anos. Segundo a pesquisa, durante a glaciação apareceram algumas novas formas e espécies.

    Em teoria, a camada de gelo sobre os oceanos impede o acesso à água do oxigênio atmosférico, ou seja, a vida deveria ter desaparecido, mas os vestígios geológicos indicam que não foi esse o caso.

    Qualquer organismo complexo precisaria de alimentos para prosperar, incluindo dentro da água. Os cientistas admitem que precisem de mais investigação para compreender como as formas de vida interagiriam em essas condições.

    Foi encontrada evidência fóssil em sedimentos depositados no antigo leito marinho, especificamente na distribuição dos sedimentos ricos em ferro. Para este fim, o grupo Lechte estudou várias formações férreas em três continentes: as montanhas Chuos na Namíbia, África, o subgrupo Yudnamutana, na Austrália, e o pico Kingston na Califórnia, EUA. Assume-se que estas áreas nem sempre foram terras secas, tendo sido habitadas por esponjas, que ainda se encontram entre nós.

    Foto tirada do espaço mostra estrutura de Richat no deserto do Saara, na África
    Foto tirada do espaço mostra estrutura de Richat no deserto do Saara, na África

    Ferro salva a vida?

    Uma das hipóteses para explicar a vida debaixo do oceano tem a ver com o ferro. Os pesquisadores sabem que a água do mar naquela época era rica em ferro dissolvido e também que existem, ainda hoje, bactérias quimiotróficas que retiram sua energia da oxidação desse ferro.

    Os cientistas detectaram depósitos de ferro oxidado em lugares em que se acredita que o glaciar flutuante roçava o gelo do continente. Geologicamente falando, os sedimentos de ferro reaparecem no registro geológico aproximadamente um bilhão de anos após sua ausência. Desta forma, o oxigênio e o ferro poderiam ter oferecido à vida os recursos necessários para subsistir.

    O especialista em sedimentos marinhos Maxwell Lechte, da Universidade McGill, Canadá, acredita que a contradição da hipótese mais lógica se deve a uma "bomba de oxigênio glacial". Ele descreve a libertação de bolhas de ar presas no gelo glacial, que se derretia no oceano.

    "A evidência sugere que, embora grande parte dos oceanos durante o congelamento tivesse sido inabitável devido à falta de oxigênio, nas áreas onde a camada de gelo terrestre começou a flutuar havia um suprimento crítico de água de fusão oxigenada", explicou o pesquisador.

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    Tags:
    biologia, Terra, ciência
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