12:31 14 Dezembro 2019
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    Alpha Centauri

    Planetas de Alpha Centauri podem ter vida? Astrofísicos esclarecem questão

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    Astrofísicos estudaram as órbitas dos planetas de Alpha Centauri e tentaram descobrir se há exoplanetas habitáveis.

    Astrofísicos simularam os parâmetros orbitais de exoplanetas no sistema estelar Alpha Centauri AB, o mais próximo de nós, e descobriram que estes planetas são improváveis de serem habitáveis, segundo resultados publicados na revista Astrophysical Journal.

    Aproximadamente metade de todas as estrelas da nossa galáxia pertence a sistemas estelares binários.

    Pesquisadores americanos do Instituto de Tecnologia da Geórgia, EUA, e da NASA decidiram descobrir quais parâmetros devem ter um planeta em sistemas binários, ou seja, com dois sóis, para que haja vida.

    Os cientistas simularam o sistema binário Alpha Centauri AB mais próximo, onde a estrela B do tamanho do Sol e a estrela maior A giram em torno de um centro comum em órbitas como o Sol e Urano.

    Instrumento para monitoramento do sistema estelar Alpha Centauri
    Instrumento para monitoramento do sistema estelar Alpha Centauri

    Os astrofísicos calcularam os limites das mudanças nos parâmetros orbitais do exoplaneta na zona habitável ao redor da estrela B levando em consideração a influência da estrela A, e descobriram que a estabilidade da inclinação do eixo de rotação do planeta é o maior fator para o desenvolvimento de vida complexa.

    Os pesquisadores começaram a comparar à medida que muda o ângulo de inclinação do eixo da Terra e Marte, para efetuar as condições de vida. Em nosso planeta, este parâmetro permaneceu praticamente constante durante toda a história geológica, que proporcionou a estabilidade de um clima e criou condições para a evolução gradual de seres biológicos. Em contraste, flutuações acentuadas na inclinação do eixo de Marte causaram mudanças regulares no clima e a destruição da atmosfera.

    O eixo de rotação da Terra está em um pequeno ângulo com sua órbita, que varia de 22,1 a 24,5 graus em uma frequência de 41 mil anos. Esta oscilação é chamada de precessão. A pequena precessão da Terra está ligada ao fato de a posição do seu eixo estar estabilizada devido às ligações gravitacionais com a Lua, um grande satélite. Sem esse satélite, as interações elásticas com Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter causariam desvios mais significativos do eixo, especialmente nos momentos de ressonância.

    Grande Mancha Vermelha de Júpiter
    Grande Mancha Vermelha de Júpiter

    O eixo de Marte avança de 10 e 60 graus em cada dois milhões de anos. Com uma inclinação de 10 graus, a atmosfera condensa-se nos polos, criando calotas de gelo. Um cinturão de gelo é formado à volta da linha do equador com 60 graus.

    "Se não tivéssemos a Lua, a inclinação do eixo da Terra poderia mudar em cerca de 60 graus", declarou Billy Quarles, chefe da pesquisa do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em um comunicado à imprensa. "Se isso acontecesse, a Terra poderia parecer Marte."

    Os pesquisadores depois simularam os parâmetros orbitais de uma potencial exoterra em áreas habitáveis do sistema binário Alpha Centauri. O resultado foi decepcionante. Ainda não foram detectados exoplanetas nas proximidades das duas principais estrelas do sistema, A e B, mas devem ser inabitáveis, pois a precessão dos seus eixos seria muito elevada.

    No sistema menor da estrela anã vermelha do Alpha Centauri há um exoplaneta chamado Centauri Proxime b, mas, de acordo com o modelo desenvolvido pelos autores do artigo, ele tem uma precessão muito forte que o exclui do número de planetas habitáveis.

    Os resultados do estudo indicam que as chances de sucesso da missão da nanossonda StarShot, que deveria ir para o sistema Alpha Centauri em busca de planetas habitáveis, são baixas.

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    Tags:
    astrofísica, vida extraterrestre, vida, planetas, Alpha Centauri
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