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    Google e Apple não permitirão o botão 'não me espie' no celular, afirma Snowden

    © AFP 2019 / PHILIPPE HUGUEN / AFP
    Ciência e tecnologia
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    O denunciante americano sublinha o poder cada vez maior das grandes empresas dos EUA de coletar e usar dados de usuários de smartphones.

    Edward Snowden usou o podcast de Joe Rogan nesta quarta-feira (23) para denunciar a crescente capacidade de vigilância de agências governamentais e grandes empresas de tecnologia no que se refere a registrar a atividade das pessoas por meio de smartphones.

    Em uma entrevista de quase 3 horas, Snowden diz que o presidente Donald Trump e futuros presidentes dos EUA têm acesso a um sistema organizado em segredo por Dick Cheney (ex-vice-presidente de George W. Bush) que consiste em dar ao presidente uma ideia exagerada das ameaças, que as agências de inteligência usam como uma razão para aumentar a vigilância e, ao mesmo tempo, esconder segredos impunemente.

    Sob este sistema, empresas como o Google e a Apple têm usado a adoção massiva de smartphones não apenas para aumentar os níveis de espionagem de seus usuários, mas também para dificultar seu desligamento.

    "Se você tivesse um botão no seu celular que dissesse 'Faça o que quiser, mas não me espie', você o pressionaria, certo?", continuou Snowden.

    "Infelizmente, o Google e a Apple [...] não permitirão que esse botão exista. Eles lutam ativamente contra isso porque dizem que é um risco de segurança", diz o ex-funcionário da NSA, lamentando que espiões do governo possam explorar a complexidade inerente aos dispositivos.

    "Eles podem ver tudo sobre você, o que você está fazendo com o dispositivo e podem fazer o que quiserem com o dispositivo", ele enfatiza.

    Programas de vigilância maciça

    Exemplos de alvos de vigilância são pontos de acesso Wi-Fi, carros no Google Street View e aplicativos aparentemente inofensivos. Snowden explica, "existe uma indústria construída para manter [a coleta de dados e a vigilância em massa] invisíveis".

    Por exemplo, Stellarwind, o programa de vigilância que Snowden revelou em 2013, era tão secreto que apenas 8 membros do Congresso dos EUA sabiam de sua existência.

    A coleta de dados 24 horas por dia, 7 dias por semana sobre os usuários é destinada a um possível uso mais tarde, afirma ele.

    "Qualquer informação que você ache que é efémera [...] agora será armazenada para uso posterior. Isto é a chamada coleta de dados em massa, o eufemismo do governo para a vigilância em massa. Eles reúnem a informação na esperança de que ela seja útil em algum momento no futuro", afirma o denunciante.

    "O verdadeiro escândalo não é que estejam violando a lei, é que não precisam de o fazer", lamenta.
    Finalmente, Snowden confessa que quer voltar aos EUA um dia, mas não acredita que possa ter um julgamento justo por causa da ameaça da Lei de Espionagem, "uma lei que o governo usa exclusivamente contra pessoas que dizem a verdade", conclui.

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    Tags:
    EUA, celulares, dados pessoais, dados, Apple, Google
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