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    Ganhador do Nobel em 1962 pelo seu papel na descoberta da estrutura molecular de dupla hélice que explica o DNA, James Watson perderá todos os títulos acadêmicos após reproduzir um argumento racista: ele defende que brancos têm QI maior que negros por diferenças genéticas.

    Watson têm um histórico de afirmações racistas que remonta desde a década passada. Em 2007, causou polêmica ao escrever no The New York Times que "todas as nossas políticas sociais para a África são baseadas no fato de que a inteligência deles [negros] é a mesma que a nossa — enquanto todos os testes dizem que não é realmente assim". Ele completava o texto dizendo que "quem tem que lidar com funcionários negros sabe o que estou dizendo".

    Dessa vez, em depoimento ao documentário da PBS "American Masters: Decoding Watson", o geneticista voltou a defender a tese da diferença entre os QIs de brancos e negros. "Eu diria que a diferença está na  genética", afirma Watson no longa.

    O Laboratório Cold Spring Harbor (CSHL), instituição anteriormente liderada pelo geneticista, decidiu reagir às afirmações por meio de nota.

    "O Laboratório Cold Spring Harbor rejeita inequivocamente as opiniões pessoais infundadas e imprudentes [de James Watson]. As declarações do Dr. Watson são repreensíveis, sem o apoio da ciência, e de modo algum representam os pontos de vista do CSHL. O Laboratório condena o mau uso da ciência para justificar o preconceito", diz o texto.

    O CSHL destituiu Watson de todos os deveres administrativos remanescentes no laboratório, revogou todos os títulos honorários recebidos por ele e cortou relações com o cientista. Ele, porém, mantém o Nobel, já que a Fundação Nobel não revê a concessão de prêmios.

    Tags:
    DNA, Laboratório Cold Spring Harbor, PBS, The New York Times, James Watson, Estados Unidos
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