09:54 13 Dezembro 2019
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    Pesquisadores descobrem como desapareceu 1º Império Mesopotâmico

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    O Império Acádio, primeiro Estado mesopotâmico semita, bruscamente se desintegrou e desapareceu há uns 4.200 anos por causa de secas e tempestade de areia, que privaram a cidade de todas as reservas de água, revela estudo publicado na revista PNAS.

    De acordo com a equipe de pesquisadores, civilizações surgem e desaparecem por várias razões, e as causas do desaparecimento do Império Acádio parecem controversas. A coincidência de tempo de grandes transformações com civilizações do Egito e do Vale do Indo, que são da mesma época, tem levado historiadores a proporem causa climática.

    Sedimentos do mar Vermelho e do golfo de Omã, entre outros proxies paleoclimáticos, foram usados anteriormente para sugerir que a Ásia ocidental experimentou pelo menos um grande período de seca nessa época, mas os dados eram imprecisos para garantir causa do colapso acadiano, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido).

    A Suméria, o Antigo Egito e a civilização do Vale do Indo são as três civilizações mais antigas do planeta. Suméria, por exemplo, surgiu uns 6.000 anos atrás em forma de uma grande comunidade de cidades-estado que negociavam e hostilizavam um ao outro.

    Em meados do terceiro milênio antes de Cristo, o rei Sargão, o Grande, conquistou todas as cidades-estado, unindo-as no Império Acádio com leis, regras comerciais e outros traços da civilização moderna. Apesar de ser considerada uma das potências mais fortes da época, ela desapareceu 200 anos depois de ser criada.

    Os motivos do desaparecimento permaneceram sendo buscados por historiadores, que sugerem diferentes versões, desde insatisfação da população com autoridades centrais e luta contra Sargão e seus descendentes, até invasão de nômades que teriam devastado o país e minado o prestígio do rei.

    Recentemente, pesquisadores começaram a sugerir catástrofe climática como causa do colapso da Suméria. Escavações na Síria mostram que o Oriente Médio, em 2200 a.C., enfrentou seca fortíssima que destruiu todas as grandes cidades na região.

    Stacy Carolin e seus colegas encontraram primeiras provas sólidas dessa teoria, examinando estalactites, que se formaram durante últimos cinco mil anos em uma gruta no norte do Iraque.

    Essas formações rochosas consistem em "anéis anuais", cuja espessura, composição química e isótopo refletem a quantidade de água na gruta em tempos diferentes de formação. Então, elas podem ser usadas como uma "crônica" climática que mostra mudanças em temperatura e nível de precipitações atmosféricas durante os tempos.

    A gruta estava perto das regiões do norte do Império Acádio e tinha mais ou menos o mesmo nível de precipitações da Suméria, o que permitiu reconstruir o clima da época do colapso.

    Pesquisadores descobriram que a primeira superpotência da Mesopotâmia foi destruída por razões climáticas. Uns 4,26 mil anos atrás, o crescimento de estalactites diminuiu bruscamente, ou seja, houve uma diminuição brusca de precipitações atmosféricas. A seca durou mais de três séculos, o que coincide com o tempo de renascimento da Mesopotâmia e aparecimento da Babilônia.

    Além disso, pesquisadores registaram um crescimento de magnésio e cálcio nos "anéis anuais", o que fala do início de tempestades de areia. Os cataclismos deveriam ter acelerado o colapso da Acádia, privando seus agricultores da possibilidade de cultivar mesmo havendo muita água.

    Vale destacar que não foi a primeira vez que secas e tempestades de areia sacudiram a Mesopotâmia. Há uns 4,5 mil anos, os abalos não foram tão prologados, durando apenas um século mais ou menos, mas podem ter sido fundamentais para enfraquecimento de cidades-estado e criação do império de Sargão, que desapareceria na próxima estação de tempestade de areia, concluíram pesquisadores.

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    Tags:
    império, estudo, cientistas, catástrofe climática, desaparecimento, civilização, Oriente Médio, Egito, Mesopotâmia
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