17:54 17 Dezembro 2018
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    Formigas (imagem referencial)

    Biólogos desvendam enigma de formigas que colecionam 'crânios' de inimigos

    © flickr.com/ János Csongor Kerekes
    Ciência e tecnologia
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    Uma espécie de formigas inofensivas, chamada Formica archboldi, que habita nas florestas, é afinal um cruel "caçador de cabeças", que mata formigas maiores com "escarros" ácidos e coleciona seus crânios nos formigueiros, comunicou a revista Insectes Sociaux.

    "Ainda em 1958, quando essas formigas foram descobertas, os cientistas repararam em algo estranho. Seus formigueiros e seus arredores estavam cobertos de cabeças de grandes formigas Odontomachus, das quais até as aranhas têm medo. Ninguém sabia por que havia tais 'restos mortais' nas colónias dos modestos primos ruivos", contou Adrian Smith da Universidade da Carolina do Norte em Raleigh, EUA.

    As formigas e outros animais sociais, tais como abelhas e térmitas, surgiram ainda nos tempos dos dinossauros e têm elaborado ao longo das últimas centenas de milhões de anos de evolução vários modos de vida, alguns dos quais são bem extravagantes.

    Por exemplo, na Terra existem cerca de duas centenas de formigas que cultivam os mesmos cogumelos para comer já durante milhões de anos. Alguns de seus primos da Amazônia abandonaram completamente as colônias permanentes e passaram ao modo de vida nómada.

    Adrian Smith desvendou o enigma do comportamento das formigas Formica archboldi que habitam nas florestas da Flórida e noutras regiões dos EUA, comunicou a revista Insectes Sociaux.

    Inicialmente o cientista estava interessado nos sinais químicos usados por essas formigas para comunicação. Smith descobriu que elas emitiam um conjunto de cheiros completamente diferente em comparação com outras representantes da espécie Formica. Na maior parte, seus ferormônios eram parecidos com os das grandes formigas Odontomachus, cujos crânios se encontravam nos formigueiros.

    É uma coincidência estranha do ponto de vista da evolução. Como regra, os insetos usam sinais para distinguir os representantes da sua espécie, mas não tentam se assemelhar a outros, excluindo os parasitas. Além disso, as Odontomachus se consideram predadores perigosos, por isso seria mais lógico evitar encontros com elas.

    Esse fato levou Smith à ideia paradoxal de que a Formica archboldi poderia caçar de propósito esses gigantes, usando seu cheiro na qualidade de "camuflagem". Então, seus crânios deveriam ser não uma "decoração" casual das colônias de formigas ruivas, mas vestígios de suas "refeições".

    O biólogo comprovou a hipótese, apanhando várias formigas representantes de Odontomachus e colocando-as nas colônias de Formica archboldi, e descobriu a arma mortífera dos "caçadores".

    Viu-se que eles na verdade podem matar formigas Odontomachus atirando contra elas jatos ácidos. Apenas um "tiro" é suficiente para causar traumas sérios ao predador e paralisá-lo em 70% dos casos.

    Depois disso, o autor do "tiro" leva sua vítima na colônia, onde no dia seguinte ela é devorada pelos animais engenhosos.

    O que é interessante é que os parentes mais próximos da Formica archboldi não se comportam de tal modo, mas sua acidez também provoca paralisia das Odontomachus. Isso indica que as formigas das florestas da Flórida evoluíram de insetos onívoros para "caçadores de cabeças" especializados em devorar um dos mais perigosos invertebrados da floresta.

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    Tags:
    evoluçao, biologia, inimigo, arma, matar, crânio, formiga, EUA
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