06:38 22 Outubro 2018
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    Boomslang (Dispholidus typus)

    Por que cobras africanas têm comportamento canibal? Cientistas explicam

    CC BY-SA 2.0 / Javier Ábalos / Boomslang in boom (Dispholidus typus)
    Ciência e tecnologia
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    As prolongadas observações das cobras africanas mostraram que 80% desses répteis preferem caçar e comer cobras da sua espécie do que ratos e outros roedores, segundo um artigo de zoólogos publicado na revista Ecology.

    "Descobrimos que as cobras correspondem de 13% a 40% da dieta total em uma dieta de cobra. Ao contrário do pensamento convencional, as tendências canibais se revelaram disseminadas entre esses répteis", escreveu Bryan Maritz e seus colegas.

    Segundo as estimativas recentes dos cientistas, existem atualmente cerca de 1,5 mil espécies de animais na Terra que podem comer indivíduos de sua própria espécie sob diferentes circunstâncias.

    Em alguns casos, os canibais são motivados por um "programa de reprodução", em vez de preferências alimentares ou fome. Por exemplo, as fêmeas de louva-a-deus e da aranha viúva-negra comem seus machos. Em outros casos, o canibalismo é uma reação à superpopulação e falta de alimento.

    Geralmente, os canibais são indivíduos de espécies predadoras, já que caçar e comer indivíduos de sua própria espécie requer adaptações que estão ausentes em herbívoros. Contudo, existem exemplos de canibalismo entre hipopótamos, hamsters e outros roedores associados à falta de certas vitaminas e nutrientes.

    Segundo Maritz, sua equipe descobriu acidentalmente que o canibalismo é extremamente difundido entre as cobras quando estudavam dietas e observavam rituais de acasalamento de dois tipos de cobras venenosas: a naja nivea e a boomslang (Dispholidus typus).

    Os zoólogos fizeram uma expedição ao deserto do Kalahari junto com um grupo de guias bosquímanos, que os ajudavam a encontrar vestígios da vida desses répteis. Uma manhã, como lembra Maritz, um dos bosquímanos pediu aos cientistas que fossem ver "duas grandes serpentes amarelas lutando entre si".

    Quando os zoólogos chegaram ao local da luta, uma das cobras já havia conseguido derrotar a segunda, tendo celebrado este evento com um jantar improvisado no qual a cobra derrotada tornou-se o prato principal.

    A partir das observações subsequentes os cientistas concluíram que o canibalismo não se resume apenas às najas níveas, mas abrange também diversos membros do gênero naja. Por exemplo, cerca de um terço da alimentação da naja nivea era composta de outras cobras e seus parentes "diretos", enquanto para as famosas najas mossambica (cobra cuspideira de Moçambique) esse índice chegou a 38%.

    Em média, uma em cada oito cobras comidas por cobras pertence à sua própria espécie. Como supõem os cientistas, tal comportamento se deve ao fato de que as cobras têm a forma corporal "correta" para se tornarem o jantar ideal para sua espécie. Elas são muito fáceis de engolir do que ratos e outros animais com membros protuberantes.

    Por que as cobras se tornaram canibais? Os cientistas têm duas explicações possíveis para isso. Em primeiro lugar, esse comportamento poderia se ter desenvolvido a partir das batalhas rituais dos machos: praticamente todos os atos de canibalismo registrados pelos cientistas foram cometidos por representantes do sexo mais forte.

    Além disso, é também possível que as cobras considerem mais fácil caçar seus parentes lentos e relativamente seguros do que tentar pegar filhotes de pássaros ou pequenos mamíferos.

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    Tags:
    canibalismo, cobras, estudo, África
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