21:34 20 Setembro 2018
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    Astronauta no espaço aberto (imagem referencial)

    Quais são os maiores obstáculos que nos impedem de viajar até Marte?

    CC0 / Pixabay
    Ciência e tecnologia
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    A agência espacial norte-americana (NASA) planeja preparar uma missão para colonizar o Planeta Vermelho até 2030. Apesar de tanto entusiasmo, viver em Marte é mais difícil do que parece.

    A Sputnik Sérvia entrevistou um investigador que já experimentou em si mesmo as condições da vida marciana. Em 2011, Aleksandr Smolevsky participou do projeto russo de simulação do voo pilotado Marte 500, que previa inclusive a saída à superfície do planeta e situações extraordinárias, como o isolamento de 520 dias durante a "viagem".

    Radiação onipresente

    Sabe-se que ao longo de 9 meses, a duração média de um voo a Marte, à medida que se vão afastando da Terra os astronautas serão cada vez mais expostos à radiação. A espessura da nave espacial não será suficiente para protegê-los. De acordo com Aleksandr Smolevsky, o nível da radiação que pode ameaçar o ser humano ao longo da viagem a Marte está mais ou menos estudado.

    "Um astronauta recebe uma dose de cerca de 1 milisievert por dia. Portanto, um total de 520 milisievert durante a viagem a Marte não representa uma ameaça à vida. Contudo, existe um risco de doenças oncológicas. Neste caso, segundo estimativas de cientistas, a dose aceitável é de 660 milisievert […]"

    De acordo com ele, existem outras dificuldades também.

    "Um voo duraria 520 dias só com uma localização ideal da Terra e Marte em relação um ao outro. Além disso, 1 milisievert por dia é considerando uma dose constante sem situações inesperadas. O aumento da atividade solar pode causar ser uma situação dessas. Com um aumento drástico, a dose aumenta centenas de vezes e até pode matar a tripulação", assinalou o investigador, acrescentando que as tecnologias modernas permitem diminuir a radiação em 30%.

    Atrofia muscular e dores 

    Devido à quase completa ausência de gravidade durante o voo, os músculos do corpo podem enfraquecer, inclusive os cardíacos. Quanto mais uma pessoa permanece no espaço, mais grave é o impacto sobre o tecido ósseo. Além disso, aumenta a distância entre vértebras, o que causa dores.

    Aleksandr Smolevsky apontou que há muito tempo os cientistas tentam prevenir tal problema, inclusive elaborando um sistema de treinamentos, trajes especiais e uma centrifuga de raio curto.

    Pesadelo de qualquer brasileiro

    Outra coisa que pode afastar os potenciais viajantes ao Planeta Vermelho são algumas dificuldades higiênicas. Trocar roupa íntima no espaço é quase impossível, bem como tomar banho e lavar roupa.

    "Durante o experimento Marte 500 chegamos à conclusão de que seria mais barato utilizar roupa íntima descartável. Enquanto isso, testamos diferentes materiais com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias que permitem aumentar seu prazo de uso. Para procedimentos higiênicos, existem guardanapos embebidos em uma solução especial que elimina a sujeira, suor e gordura", contou.

    "Existe um shampoo especial […] que praticamente não requer água. Outra coisa é que uma pessoa que se acostumou a tomar banho duas vezes por dia em condições confortáveis, cantando e se deleitando debaixo do chuveiro, não vai se sentir muito confortável nestas condições", assinalou Smolevsky.

    Pior que encontro com marcianos

    Mesmo se uma nave espacial conseguir pousar na superfície marciana, aí logo surgem outros desafios. A atmosfera do Planeta Vermelho é aproximadamente cem vezes menos densa. A temperatura média anual em Marte atinge 62 graus negativos, as mudanças são muito bruscas, por isso de dia pode estar muito calor.

    Além disso, os visitantes potenciais de Marte serão expostos à radiação ionizante, que pode levar à deterioração de funções cognitivas. Ou seja, as pessoas podem se esquecer de como controlar os sistemas ou até do que devem fazer.

    Smolevsky indicou também que o nível de radiação em Marte, bem como o fato de que na superfície a gravidade é menor que a da Terra, a atividade física de uma pessoa será diminuída.

    O investigador concluiu que, segundo as previsões mais otimistas, os voos a Marte poderão ocorrer somente depois de 2030. Quanto ao turismo, trata-se de uma possibilidade bem distante, já que para tal atividade é necessária uma infraestrutura especial.

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    Tags:
    colonização, vida, Marte
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