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    Homem usando traje tradicional maia, em San Martín Jilotepeque, Guatemala, 21 de setembro de 2012

    Será que milho foi responsável por desaparecimento da civilização maia?

    © AP Photo / Moises Castillo
    Ciência e tecnologia
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    A civilização maia poderia ter entrado em colapso não apenas devido a secas prolongadas como também ao desmatamento e à degradação do solo, segundo afirmam os geólogos.

    Uma equipe de cientistas liderados por Peter Douglas, geoquímico da Universidade McGill, investigou como os solos das florestas tropicais, onde as cidades maias se localizavam, mudaram durante o apogeu e o declínio da civilização. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature Geoscience.

    Os cientistas se deslocaram para a selva no sul do México e no norte da Guatemala e extraíram do fundo de três lagos amostras do solo formado nos últimos 4.000 anos. 

    Segundo os geólogos, novos depósitos de lodo são formados a cada ano, os quais contêm uma pequena porção de pólen e outros restos vegetais que chegam com o vento. Além dos vestígios relativamente "frescos" da flora, existem no fundo dos lagos várias moléculas de cera de origem mais antiga. 

    A idade dessas moléculas, segundo Douglas, serve como um indicador da quantidade de matéria orgânica que entra e sai do solo. Se houver muitos restos de plantas e animais, os micróbios "comem" os compostos mais acessíveis e não tocam nessas ceras, por isso sua idade será muito mais antiga. Se o solo ficar mais pobre, então essas moléculas não serão muito mais antigas do que a biomassa "habitual".

    Guiada por essa ideia, a equipe de Douglas mediu a idade da cera e outros sedimentos usando a análise de radiocarbono. A equipe descobriu que, antes do surgimento das cidades maias, cerca de 3.500 anos atrás, a cera era aproximadamente 1.500 anos mais velha do que o resto da matéria orgânica. Isso, como apontam os cientistas, corresponde aos indícios da selva tropical moderna não tocada pelo homem. 

    A situação mudou drasticamente por volta do ano de 1.500 a.C. As diferenças na idade da cera e da biomassa "comum" começaram a desaparecer dramaticamente, alcançando uma brecha de 380 e 400 anos de diferença. Nesse momento, como ressaltam os pesquisadores, as aldeias maias começaram a se tornar as primeiras cidades-estado. 

    Segundo os geólogos, o esgotamento do solo se deve ao fato de que os maias desmataram a selva para plantar milho e outras culturas. O solo da floresta não teve tempo suficiente para se recuperar e perdeu rapidamente sua fertilidade. Isso provavelmente obrigou os maias a cortar mais florestas abandonando os antigos campos. 

    Como isso se relaciona com o colapso da civilização? Os solos não se recuperaram mesmo depois que os maias abandonaram as áreas desmatadas. A quantidade de matéria orgânica permaneceu baixa por muito tempo. 

    Os cientistas acreditam que a destruição da floresta acelerou drasticamente a erosão do solo, incluindo a lavagem de certos elementos. Como resultado, o equilíbrio ácido-base se alterou, o que acelerou a decomposição dos orgânicos por micróbios e empobreceu o solo. 

    Essas mudanças irreversíveis que influenciaram o rendimento dos campos maias serviram como uma das principais razões do colapso da civilização que se estendeu por vários séculos ou milênios.

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    Tags:
    maias, floresta, solo, desmatamento, Guatemala, México
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