17:41 20 Agosto 2018
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    Embrião humano

    Embriões modificados geneticamente: nova forma de eugenia

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    Ciência e tecnologia
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    O Conselho de Bioética de Nuffield, o principal órgão na área da bioética no Reino Unido, publicou um relatório em que se afirma que a modificação do DNA de um embrião humano poderia ser permitida se servisse o melhor interesse da criança.

    Os autores do relatório pedem mais pesquisas sobre a segurança e a eficácia da modificação genética em humanos. A Sputnik International discutiu o tema com David King, diretor do grupo Human Genetics Alert (Alerta Genética Humana, em português).

    Segundo David King, o relatório produzido pelo Conselho de Nuffield é uma vergonha. A comunidade internacional afirma que não devemos fazer isso, a proibição de modificar geneticamente embriões humanos existe na legislação de muitos países. Tais regras têm a ver com um movimento chamado eugenia, que ficou famoso no período nazista e que basicamente tratava de eliminar da sociedade as pessoas que eram consideradas geneticamente inferiores, o que resultou no holocausto.

    O doutor David King contesta as técnicas de modificação genética e esclarece que já existem excelentes tecnologias que ajudam a evitar o nascimento de crianças doentes. 

    "O que não podemos fazer é criar o que chamamos de bebês aperfeiçoados, 'bebês sob medida', o que seria uma forma de eugenia tecnicamente muito mais sofisticada do que a que era praticada na primeira metade do século XX", acrescenta.

    King alerta que pode surgir um mercado livre destas tecnologias e que os pais, movidos pelo desejo natural de criar condições para que seus filhos tenham o melhor começo de vida possível, podem recorrer a este mercado para que seus descendentes usufruam de uma vantagem competitiva. Isso favoreceria as crianças de pais ricos, enquanto as nascidas em famílias mais pobres ficariam em desvantagem. 

    Em relação ao método já existente para evitar doenças graves, King explica que "se conhecermos o gene, saberemos qual é a mutação no gene e já podemos observar todos os genes […], ver qual deles tem a mutação e simplesmente não implantar na mulher o embrião que tem a mutação.

    Quando questionado sobre testes fetais que indicam anormalidades e condições específicas que às vezes levam à interrupção da gravidez, David King diz que a questão do aborto é complexa porque envolve ética e religião. Ao mesmo tempo, ele relata que, sendo ele próprio uma pessoa com deficiência, tem falado com ativistas dos direitos destas pessoas no Reino Unido e muitos temem que as práticas de evitar que nasçam pessoas deficientes não sejam mais que a continuação da eugenia.

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    Tags:
    mutação, engenharia genética, doença genética, bebês, Reino Unido
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