02:00 24 Janeiro 2020
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    Nos anos 70, no norte do Kosovo foi criado o lago artificial Gazivode. Ele tem sido usado tanto para produção de energia elétrica como para abastecer cidades kosovares.

    Enquanto políticos de Belgrado e Pristina disputam propriedade do local estratégico — do Estado ou dos separatistas do Kosovo, cientistas sérvios apontam que o Gazivode esconde em suas profundezas os vestígios ainda não estudados da cultura sérvia medieval.

    O jovem pesquisador e diretor de cinema Dusan Jovovic, ainda chamado de Indiana Jones sérvio, afirma em entrevista à Sputnik Sérvia que no fundo do lago se escondem não só cemitérios e igrejas, mas também ruínas de uma escola sérvia para meninas. Sabe-se que as primeiras escolas para meninas começaram a ser construídas no século XIII por Helena de Anjou, rainha da Sérvia. Lá as meninas estudavam boas maneiras, música, costura, arte de ler e escrever etc.

    Justamente sobre esta personagem histórica é embasado o filme "Gazivode, pelos caminhos de Helena de Anjou", em que trabalha Jovovic e a historiadora Katarina Mitrovic, que há muito tempo vem estudando a biografia da rainha sérvia mais enigmática da época medieval.

    Conforme Mitrovic, o filme deve provocar o interesse ao período entre fim do século XIII e início do século XIV, quando a Sérvia superava o desenvolvimento tanto do Oriente como do Ocidente.

    Equipes trabalhando no lago Gazivode
    © Foto / Dusan Jovovic
    Equipes trabalhando no lago Gazivode

    O diretor cinematográfico opina que as autoridades iugoslavas tinham muita pressa em afundar os territórios:

    "A decisão foi tomada muito antes de seis meses, e para criar todas as condições necessárias para o afundamento, é necessário, em primeiro lugar, enviar uma equipe de arqueólogos. Deviam estudar o território de 25 km², que foi concluído em apenas três meses. Além disso, a metade da documentação em que está descrito tudo o que tinha sido encontrado [ou seja, em sítios históricos], de repente desapareceu. Surgiu um reservatório de água, e as riquezas medievais foram esquecidas e afundadas."

    Mergulhador explorando área com lanterna
    © Foto / Dusan Jovovic
    Mergulhador explorando área com lanterna

    Dusan Jovovic diz que todas suas tentativas de repetir pesquisa e preservar patrimônio foram arruinadas pelas respostas "não há condições, dinheiro e equipe".

    No fim das contas, equipe disposta a prosseguir com os estudos surgiu na Rússia. A mergulhadora sérvia mais famosa, Bozana Ostojic, enviou materiais à Comunidade Geográfica russa, a qual faz parte, e o projeto cativou o Centro de Estudos Subaquáticos da Rússia, que visitou pela primeira vez a Sérvia em novembro de 2017. No fim de fevereiro de 2018, inspeção submarina no lago foi iniciada.

    Equipamento dos mergulhadores
    © Foto / Dusan Jovovic
    Equipamento dos mergulhadores

    De acordo com Mitrovic, nos últimos dias foram encontrados escombros de igrejas do século XIII, torres do sino e fundamento do edifício que poderia ter sido de uma escola para meninas. A investigadora nota que em nenhum documento estes objetos foram mencionados.

    Entretanto, os investigadores estão enfrentando dificuldades. Por exemplo, a Força do Kosovo (KFOR, na sigla em inglês) patrulha regularmente o trabalho do ar. Além do mais, a própria natureza às vezes cria obstáculos com ondas enormes ou frequentes mudanças de temperatura.

    Dusan Jovovic com duas mulheres da equipe científica
    © Foto / Dusan Jovovic
    Dusan Jovovic com duas mulheres da equipe científica

    O problema principal é a falta de financiamento. Jovovic espera que surjam investidores que deem importância à causa. Mas mesmo sem patrocínio, o "Indiana Jones sérvio" pretende concluir o projeto com ajuda de amigos.

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    Tags:
    afundamento, escola, igreja, mistério, Antártida, Sérvia
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