05:48 24 Agosto 2019
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    Cirurgia de coração

    Transplante de coração: como tecnologia permite salvar milhões de vidas

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    Ciência e tecnologia
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    Há 50 anos foi realizado na África do Sul o primeiro transplante de coração na história. Esse evento se tornou uma real revolução na cardiologia e deu esperança para salvar vidas de milhões de pessoas. Mas a tecnologia continua se desenvolvendo, então, que avanços existem agora?

    O primeiro transplante cardíaco bem-sucedido foi realizado em 3 de dezembro de 1967 por Christiaan Barnard,  cirurgião sul-africano. O coração de uma mulher de 25 anos, falecida em um acidente, foi com êxito colocado no corpo de um comerciante de 56 anos que sofria de doença coronária. O paciente sobreviveu durante 18 dias e morreu por causa de uma infecção.

    "Os primeiros transplantes duraram dias ou meses, talvez um ano ou dois. Agora estamos falando de sobrevivência de 50% do coração transplantado que dura entre 17 e 20 anos. Até o momento, o transplante mais duradouro é de 36 anos", declarou à Sputnik Mundo Dimpna Albert, cardiologista pediátrica e coordenadora médica de transplante no Hospital Materno-Infantil Vall d'Hebron de Barcelona.

    Tal número mostra o grande avanço que tem sido atingido nas últimas cinco décadas.

    Além disso, a criação de novos remédios permitiu controlar infecções e, assim, aumentar a sobrevivência do coração transplantado e torná-lo uma opção mais viável.

    Por isso, hoje esta é uma alternativa real para aqueles que sofrem de miocardiopatia ou que tiveram infartos que se converteram em uma disfunção ventricular.

    Atualmente, os avanços na medicina permitem melhorar a qualidade de vida daqueles que estão na lista de espera para receber um transplante. Além disso, agora vários órgãos podem ser reproduzidos por impressão 3D. No entanto, uma substituição possível, segundo indica a médica, no caso do coração "está muito longe".

    Hoje existem alguns dispositivos mecânicos, por exemplo, SynCardia, conhecidos como "corações artificiais" que podem ser utilizados durante períodos curtos, quando pacientes estão a espera de um novo órgão. Mas eles "estão muito longe da realidade" quanto à sua durabilidade, opina a especialista.

    "Podemos usar o coração artificial por algum tempo porque não há doador", acrescentando que até o momento os cientistas não sabem como imitar o funcionamento do coração.

    A criação de novos órgãos do coração não foi alcançada, porque não é somente um músculo e uma bolsa, os médicos têm que sincronizar o músculo com batimentos cardíacos e ritmo, explica.

    Entretanto, de acordo com Roberto Canessa, cardiologista infantil uruguaio, um dos desafios principais que enfrentamos hoje, é o "grande estrangulamento" causado por falta de doadores. Em algumas legislações, por exemplo, uruguaia ou espanhola, todas as pessoas maiores de 18 anos são doadoras, a menos que expressem seu consentimento contra.

    No entanto, no Uruguai, no caso das crianças isso não é o mesmo, explicou Canessa, por esta razão há organizações que estão trabalhando para que a lei funcione da mesma maneira que com os adultos. Casos neste país e na Argentina provocaram alerta sobre o tema.

    "É um tema de conscientização porque todo mundo está disposto a receber coração, mas nem todos estão prontos para doá-lo. É um órgão que deve ser retirado quando está batendo", destaca o especialista.

    Finalmente o médico confessou que "isso [doar seu coração] tem implicações filosóficas e éticas", e ao mesmo tempo acrescentando que "é muito respeitável que as pessoas pensem diferente [daquelas que não estão prontas para doar seu coração]".

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    Tags:
    doação de órgãos, transplante, coração, órgãos, vida, remédio, salvamento, cirurgias, infecção, médicos, doença, Uruguai, África do Sul, Argentina
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