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    Big Bang em xeque: físico brasileiro explica teoria alternativa sobre o universo

    CC BY-SA 2.0 / John Smith / universe
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    O físico brasileiro Juliano César Silva Neves, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou em entrevista à Sputnik Brasil, nesta quarta-feira, a sua inovadora teoria sobre a origem do universo, que exclui a necessidade de um Big Bang, aceito pela maior parte da comunidade científica como melhor explicação para o início de tudo.

    "Antes da visão cíclica, nós temos que resolver o problema da singularidade. Por Big Bang, eu quero dizer singularidade inicial. O modelo cosmológico que eu propus aceita, claro, a expansão do universo, aceita outros dados, como a radiação cósmica de fundo. A minha questão principal é o Big Bang, o Big Bang como a chamada singularidade inicial", disse o cientista, explicando que essa singularidade consistiria em um estado onde as grandezas físicas, geométricas, calculadas a partir da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, não têm um valor definido. "Como os matemáticos falam, essas grandezas tendem ao infinito". 

    Neves conta que essa questão é encarada como um problema da relatividade, que a maioria dos pesquisadores acreditam poder ser resolvido com uma teoria quântica da gravidade, que acabaria com a singularidade. No entanto, segundo ele, é possível resolver a singularidade inicial sem recorrer a uma teoria quântica, o que foi exatamente o que ele fez em seu trabalho, publicado recentemente na revista General Relativity and Gravitation

    "Esse estado inicial não é mais divergente. Ele não é um estado onde grandezas físicas e geométricas têm valores ilimitados ou infinitos. E nem, necessariamente, precisa ser o estado inicial. O que eu descarto é essa ideia do Big Bang. Então, ao invés de um estado singular, apenas um ricochete. E se existiu um ricochete, uma transição, houve uma fase anterior à atual expansão cósmica. Se o universo está expandindo atualmente, a fase anterior à atual fase de expansão foi uma fase de contração. Aí, sim. Aí, a gente pode, a partir disso, tentar também construir uma visão cíclica, onde o universo passa por sucessivas fases de contração e expansão."

    De acordo com o físico da Unicamp, o evento do Big Bang poderia ser aceito por ele se esse termo tivesse uma definição diferente da que se refere à singularidade. Isso porque, ele afirma, quando essa fase de transição entre uma contração e uma expansão não é singular, o que se tem é uma "física bem comportada em todo o trajeto", ela funciona integralmente. 

    "O problema de você assumir uma singularidade é assumir a sua ignorância. A singularidade, acima de tudo, é a total ignorância da física. Porque a física não funciona na singularidade." 

    Antes de Juliano Neves, outros cientistas já pensaram em uma cosmologia sem o Big Bang. Há uma originalidade em seu trabalho, no entanto, que se deve ao emprego de alternativas utilizadas por ele em pesquisas sobre buracos negros regulares, sem singularidade no horizonte de eventos, para explicar também a cosmologia.

    "Esse foi o caminho longo que eu usei. Sair dos buracos negros e ir até a cosmologia para salvar a cosmologia do horrível Big Bang", afirmou o pesquisador.

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    Tags:
    buracos negros, pesquisa, ricochete, ciência, singularidade, Teoria da Relatividade, física quântica, Física, cosmologia, Big Bang, Unicamp, Juliano César Silva Neves, Juliano Neves, Albert Einstein, São Paulo, Campinas, Brasil, universo
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