00:08 15 Agosto 2020
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    Um corpo celeste místico chamado de "estrela forasteira" KIC 8462852 da constelação Cisne não só vem ficando opaca com o tempo, mas de vez em quando aumenta seu brilho, o que põe em questão quase todas as explicações "naturais" de sua "cintilação".

    Eis o que paleontólogos declaram em artigo publicado na biblioteca eletrônica arXiv.org. "Pensávamos que o brilho da estrela se move apenas em uma direção – ela está se tornando cada vez mais opaca. O fato de ela às vezes se tornar mais brilhante depois de se ofuscar é incompatível com a maioria das hipóteses existentes", disse Joshua Simon do Instituto de Ciências Carnegie de Pasadena, EUA.

    Em meados de outubro de 2015, a equipe liderada por Tabetha Boyajian da Universidade de Yale falou sobre as flutuações inabituais no brilho da estrela KIC 8462852 da constelação Cisne que podem indicar existência em seus arredores da esfera de Dyson, criada pela civilização forasteira superdesenvolvida.

    Inicialmente, cientistas acreditavam que tal "cintilação" da estrela podia ser provocada pela colmeia de cometas, que tamparam sua luz para observadores na Terra, mas em janeiro de 2016, o astrônomo americano Bradley Shefer revelou que o brilho da KIC 8462852 incrivelmente caiu 0,16 no último século, fazendo com que a teoria acima citada fosse questionada.

    No começo, céticos tentavam negar o fato do apagamento da estrela em longo e curto prazo, mas depois cientistas do telescópio Kepler, bem como astrônomos russos do observatório Pulkovo, confirmaram a redução do brilho.

    Simon e seus colegas, que analisaram dados do Kepler no passado, descobriram mais uma característica inabitual da KIC 8462852 através de arquivos de outros dois laboratórios – projeto ASASSN, sistema automatizado de busca, e relatos ASAS, no âmbito do qual os cientistas observam o céu noturno há mais de 10 anos.

    O acesso a estes arquivos permitiu aos cientistas resolver duas tarefas de uma só vez – entender como o brilho da KIC 8462852 mudou em longo prazo depois de Kelper ter quebrado e começado a olhar para outras partes do céu, e saber qual era a aparência da estrela Tabbi antes de 2009, quando foi lançado o telescópio cósmico.

    Estas observações indicaram duas coisas muito interessantes. Em primeiro lugar, atualmente o brilho da "estrela forasteira" continua a baixar, tendo reduzido 1,5%, o que é impensável na astronomia, desde 2015.

    Em segundo lugar, durante os últimos 11 anos, a KIC 8462852 viveu dois períodos muito estranhos quando o seu brilho não diminuía, mas aumentava por muito tempo. Tais acontecimentos eliminam todas as teorias sobre "asteroides" e "planetas" do seu apagamento e limitam outros cenários mais exóticos, tais como a colisão de luas ou planetas com estrela, ou a existência em sua órbita do anel gigantesco de poeira com a largura de quase um bilhão de quilômetros.

    Os cientistas ainda não sabem o que provocou os aumentos do brilho da estrela Tabbi – para isso é necessário observar as mudanças na KIC 8462852 em várias partes do seu espectro e entender, se ela se torna mais marcante em todas as partes ou só em algumas áreas da radiação visível ou infravermelha.

    Por outro lado, Simon e os seus colegas já agora acham que a anomalia descoberta mostra que o brilho da "estrela forasteira" muda por causa de processos físicos complexos em suas profundezas, mas não por causa de objetos alheios em sua órbita, como esfera de Dyson ou colmeias de asteroides.  Será bastante fácil verificar a veracidade da hipótese, pois o brilho da KIC 8462852 vai aumentar mais uma vez em 2022.

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    Tags:
    asteroide, alienígena, astronomia, estrelas, Espaço
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