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    Damián Le Nouaille, conselheiro independente parisiense de origem espanhola, confessa que um produto que nunca tinha buscado na Internet e somente mencionou uma vez em uma conversa privada lhe saiu de repente nas publicações recomendadas na rede social do Instagram.

    História de Damián Le Nouaille

    "A única maneira de o Instagram saber sobre isso, seria escutando minhas conversações através do microfone do meu smartphone", assegura o usuário da rede.

    Em entrevista ao portal Medium, o jovem conta que um dia, enquanto estava fazendo uma caminhada, expressou seu desejo de adquirir um microprojetor em uma conversa com seu primo. Os homens falaram sobre o assunto por cerca de cinco minutos, enquanto o celular de Damián estava em sua mochila.

    Captura de tela do smartphone de Damián Le Nouaille
    © CC0 / Damián Le Nouaille
    Captura de tela do smartphone de Damián Le Nouaille

    O protagonista da história ressalta que nunca tinha buscado esse produto no Google, nem compartilhado seu nome em alguma plataforma digital.

    No dia seguinte, Le Nouaille abriu sua conta do Instagram e viu um anunciou deste mesmo tipo de microprojetor.

    Ademais, o autor relembra que o 3G não estava funcionando todo o tempo, o que significa que o aplicativo poderia ter gravado a conversação e guardado como texto no celular enquanto a Internet estava desativada.

    O especialista em cibersegurança, Dani Creus, que trabalha para a companhia russa Kaspersky, não se apressa a qualificar essa conduta estranha do Instagram como algum tipo de espionagem cibernética.

    Creus assegura que, apesar de existir muitos "apps" capazes de espiar seu usuário através do microfone, tem dúvidas que o Instagram realmente o faça.

    "Se fosse assim, em suas condições do serviço, a empresa […] o especificaria em algum dos pontos dos termos de serviço, mas não o faz", comentou em entrevista à edição espanhola El Confidencial.

    Não obstante, Dani Creus confirma que os smartphones são capazes de escutar as conversações dos usuários e convertê-las em dados já há bastante tempo.

    "Não temos provas de que este aplicativo o faça, mas tecnologicamente isso é possível", enfatizou o especialista em cibersegurança.

    Outros casos

    Em 2015, a empresa Samsung já suscitou polêmica porque, em suas condições de privacidade, declarava abertamente que suas televisões SmartTV poderiam escutar e enviar dados dos seus clientes a agentes terceiros. Na época, a empresa sul-coreana nem chegou a tentar abafar o caso.

    "Esteja consciente de que, caso suas palavras contenham informações pessoais ou sensíveis, elas estarão entre os dados capturados e transmitidos a empresas terceiras através do reconhecimento de voz", dizia-se na sua política de privacidade.

    No caso dos assistentes de voz, as coisas parecem ainda mais complicadas. O Google já teve que pedir perdão em 2013 por não avisar a seus usuários de que o aplicativo "Ok, Google" escutava tudo o que diziam, já que esta era a única maneira de fazer o sistema responder quando necessário.

    Neste leque de "espiões cibernéticos", seria oportuno também se lembrar da Amazon. No final de 2016, a empresa teve que responder pelo seu projeto Amazon Echo, que provocou numerosas queixas devido às compras acidentais feitas por crianças através do assistente dos seus pais.

    Como evitar que te escutem?

    Se você tem medo de que algum aplicativo esteja te vigiando, é recomendado ler as configurações de privacidade dos aplicativos no smartphone.

    Nesta opção, você pode conferir quais aplicativos têm acesso ao seu microfone, podendo mudar a opção de acesso. Embora a maioria destes serviços avise de que somente usam essa função quando estão ativos, o melhor é marcar uma linha clara até onde cada ferramenta e aplicativo pode ter acesso a suas informações.

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    Tags:
    escutas, redes sociais, espionagem, Amazon, Google, Instagram, França, Espanha
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