11:28 05 Agosto 2020
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    As escavações no local dos mais antigos e potentes deslizamentos de terras submarinos levaram os geólogos noruegueses a descobrir a razão pela qual alguns poderosíssimos cataclismos submarinos acabam não provocando tsunamis gigantes.

    A descoberta foi avançada num artigo publicado na revista Geophysical Research Letters.

    "O mecanismo e a natureza dos tsunamis estão ainda pouco estudados. Uma catástrofe igual à de Fukushima nos faz pensar sobre as forças que geram as ondas gigantes e por que esses fenômenos nem sempre causam poderosas inundações", segundo explica Finn Lovholt e seus colegas do Instituto Geotécnico da Noruega em Oslo.

    De acordo com os cientistas, há atualmente dois mecanismos principais que originam tsunamis: os terremotos fortíssimos no fundo do oceano, semelhantes aos que causaram as cheias de 2004 e 2011 na Indonésia e no Japão, respetivamente, e os deslizamentos de terras enormes, um dos quais teria provocado um dos maiores dilúvios na história. Trata-se da cheia ocorrida há uns oito mil anos próximo das costas de toda a Escandinávia e da Grã-Bretanha e que teria sido causada por um deslizamento fortíssimo no fundo do Oceano Atlântico.

    A forma como os tsunamis surgem durante os terremotos está bastante estudada pelos geólogos, contudo o papel dos deslizamentos nesse processo está ainda muito pouco estudado. A título de exemplo, Lovholt indica um outro deslizamento forte que se deu há aproximadamente seis mil anos, mas que não chegou a causar efeitos visíveis.

    O problema é que de momento os cientistas não conseguem explicar completamente por que as grandes camadas de solo no fundo do mar começam deslizando pelos seus declives, perdendo a estabilidade. A razão para tal pode ser tanto a mudança das correntes, quanto a flutuação das temperaturas, além de explosões submarinas de metano, cujas moléculas vêm se acumulando no permafrost no fundo do mar da Noruega.

    Lovholt e seus colegas encontraram a resposta à última pergunta após terem analisado amostras dos estratos de rocha formados por ambos os deslizamentos e chamados atualmente de "Sturegga" e "Trenadjupet".

    Conforme os cálculos feitos através de modelagem por computador, o deslizamento de lama se deslocava de modo totalmente diferente em cada um dos casos. Sturegga, o deslizamento mais antigo, conseguiu gerar um tsunami por seus estratos de rocha terem desmoronado quase simultaneamente, para o fundo do oceano, com a velocidade de 35 metros por segundo. Consequentemente, se deslocaram quase três mil quilômetros cúbicos de solo submarino, o que provocou uma onda potente, cujos vestígios foram encontrados na Escócia a 80 km da costa marinha.

    O caso de Trenadjupet foi diferente – aconteceu uma série de várias dezenas de desmoronamentos separados, cada um dos quais ia provocando um deslizamento ainda maior do que o anterior.

    De acordo com os cálculos, a magnitude de um tsunami causado por deslizamentos depende principalmente, não do tamanho do deslizamento, mas do relevo do fundo do mar. Esses são os fatores a serem levados em conta para se fazer uma projeção da magnitude do tsunami e construir proteções.

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    Tags:
    razão, terremoto, deslisamentos, tsunami, Fukushima, Japão, Indonésia, Escandinávia, Grã-Bretanha, oceano Atlântico, Escócia, Oslo, Noruega
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