02:38 21 Janeiro 2018
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    A poluição é uma das causas da redução de espermatozoides, sugerem especialistas

    Uma tendência ameaça as próximas gerações do mundo desenvolvido

    © AP Photo/ Francois Mori
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    Na semana passada, a revista Human Reproduction Update, editada pela Universidade de Oxford, publicou os resultados de uma pesquisa que mostrou uma redução do número de espermatozoides.

    A redução pode ser caraterizada como drástica, pois se trata de mais da metade dos espermatozoides. A pesquisa abrangeu 43 mil homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Os testes foram realizados entre 1973 e 2011. Os primeiros mostraram uma média de 99 milhões de espermatozoides por mililitro de esperma, e os últimos, cerca de 47 milhões por mililitro.

    A Sputnik Brasil já ouviu Antonio Braga, da UFRJ e UFF, que notou a falta de explicação. A revista científica de Oxford não apresenta argumento nenhum sobre as causas desta queda.

    O professor catedrático de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Doutor Carlos Calhaz Jorge, também destacou esta falta, em seu comentário à Sputnik Brasil.

    Ele vem, portanto, com uma tentativa de explicar:

    "Não se conhecem as causas dessa redução da quantidade (outros estudos sugerem também alterações na qualidade) dos espermatozoides. Supõe-se que esteja relacionada com fatores ambientais como qualidade do ar que respiramos e alimentos contaminados com uma enorme diversidade de substâncias químicas (resultantes da indústria, dos métodos agrícolas modernos). Daí que as sociedades ditas mais desenvolvidas sejam aquelas em que o fenômeno é mais evidente."

    O Doutor Calhaz Jorge sugere que o estilo de vida também tenha que ver com este fenômeno triste: obesidade e tabagismo "terão certamente um contributo importante" na redução da quantidade de espermatozoides e, portanto, no poder reprodutivo do homem.

    Com isso concorda também a Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade), uma organização de voluntários sediada em Lisboa.

    "Ainda que os dados possam ser surpreendentes, se tivermos em conta que houve um declínio no estilo de vida nos países desenvolvidos, alimentado pelo stress, sedentarismo, alimentação desregrada e o aumento do consumo de produtos alimentares tratados com químicos, a típica fast-food, bem como o tabaco, drogas ou a poluição, é natural que isso influencie a saúde humana. No caso dos homens, essa influência manifesta-se também de forma negativa na produção de espermatozoides e consequentemente na sua fertilidade", disse à Sputnik Brasil Cláudia Bancaleiro, representante da APFertilidade.

    Cláudia Bancaleiro volta ao problema do estilo de vida falando sobre os problemas principais da demografia no Portugal contemporâneo:

    "Estima-se que a infertilidade conjugal atinja 10 a 15% da população em idade reprodutiva, tendo vindo a aumentar nos últimos anos, devido a causas tão diversas como o adiamento da maternidade, o início de uma vida sexual precoce e com múltiplos parceiros (problemas de infecções), o sedentarismo, os hábitos alimentares, o consumo excessivo de tabaco, álcool e drogas e ainda, muito especialmente, devido à poluição."

    Afinal, o que temos agora é uma tendência que não tem ainda uma explicação comprovada. Antes de se ter uma pesquisa detalhada sobre as causas que provocaram esta tendência, é cedo para entrar em pânico.

    "Mas a manter-se esta tendência (ou a agravar-se) esse poderá ser um problema muito importante para as próximas gerações", frisa o Doutor Calhaz Jorge.

    No entanto, a APFertilidade expressou à Sputnik Brasil a esperança de que "a diminuição de casais inférteis seja uma realidade a médio prazo".

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    Tags:
    reprodução, esperma, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Universidade de Lisboa
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