Quer um antiácido? Buraco negro supermaciço é detectado sofrendo de 'indigestão'

© AFP 2023 / EUROPEAN SOUTHERN OBSERVATORYSercanias do grande buraco negro, no coração da galáxia ativa NGC 3783, na constelação sulina do Centauro
Sercanias do grande buraco negro, no coração da galáxia ativa NGC 3783, na constelação sulina do Centauro - Sputnik Brasil
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Quando você tem uma indigestão após comer algo errado, sempre pode tomar um antiácido. Mas o que fazer quando o doente que sofre de indigestão é um buraco negro supermaciço 19 vezes maior do que o Sol?

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Cientistas descobrem primeira galáxia com 2 buracos negros supermaciços
O buraco negro com problemas de estômago é o centro da galáxia NGC 5195, localizada a 26 milhões de anos-luz da Terra. Anteriormente, astrônomos observaram algumas tendências estranhas na galáxia e na sua vizinha, uma galáxia ainda maior NGC 5194, também conhecida como a Galáxia do Rodamoinho. A fusão das duas acontecerá em bilhões de anos, mas, ultimamente, as galáxias têm interagido constantemente.

A razão disso é que o centro do buraco negro da NGC 5195 está sofrendo de "indigestão especial" ao "vomitar" parte da matéria capturada em sua gravidade a alta velocidade. Buracos negros supermaciços estão quase sempre rodeados pelo que se chama o disco de acreção: uma nuvem ou matéria presa em sua órbita, sendo puxado lentamente.

Porém, como a 5195 está fundindo com a Galáxia do Rodamoinho, a cada centena de milhões de anos o buraco negro ultrapassa a galáxia vizinha e suga um volume gigantesco de matéria. Este volume é tão grande que até o monstruoso buraco negro supermaciço não consegue lidar com ele. Quando a matéria aflui ao buraco negro, parte da matéria da estrela e da interestrelar colide uma com a outra. Isso provoca uma onda de choque e o buraco negro põe para fora a matéria acumulada a uma velocidade incrível.

Imagem da galáxia 2XMM J143450.5+033843 tirada pelo telescópio espacial Hubble - Sputnik Brasil
Buraco negro de uma galáxia vizinha pode vir a 'disparar' na Terra
Os cientistas já sabiam sobre a interação entre as galáxias, mas o estudo do Centro Jodrell Bank de Astrofísica da Universidade de Manchester, Reino Unido, revelou novos fatos.

A nova teoria, de acordo com o encarregado do estudo, Hayden Rampadarath, explica de modo simples os fenômenos detectados antes. Por exemplo, o observatório de raios X Chandra tinha observado arcos de raios X de grande escala, emitidos do buraco negro, enquanto o telescópio Hubble observou um nível extremamente elevado de estrelas novas, que estão se formando na 5195 e na Galáxia do Rodamoinho.

"Os arcos na NG 5195 têm 1 a 2 milhões de anos", escreve Rampadarath. "Para ter uma ideia, os primeiros traços da matéria foram expulsos do buraco negro quando nossos antepassados estavam aprendendo a fazer fogo. O fato de podermos observar este evento agora através de várias ferramentas astronômicas é muito notável", disse o cientista, de acordo com o portal da Real Sociedade Astronômica (Royal Astronomical Society, em inglês).

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