18:57 23 Setembro 2017
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    Pesquisas confirmam: o poder degrada as pessoas

    © REUTERS/ Peter Nicholls
    Ciência e tecnologia
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    Diversos estudos científicos indicam que poder pode provocar danos cerebrais em pessoas.

    Após duas décadas de estudos, Dacher Keltner, psicólogo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, descobriu que os indivíduos, sob a influência de possuírem posições de poder, agem como se tivessem sofrido uma lesão cerebral traumática e tornam-se mais impulsivas, menos conscientes dos riscos e, acima de tudo, menos capazes de enxergar as coisas do ponto de vista dos outros.

    Enquanto isso, Sukhvinder Obhi, neurocientista da Universidade McMaster, em Ontário, afirmou algo semelhante a partir do ponto de vista neurológico ao analisar, com a ajuda de uma máquina de estimulação magnética transcraniana, os cérebros das pessoas mais e menos poderosos. O cientista descobriu que o poder prejudica um processo neuronal específico, conhecido como "imitação", uma parte essencial da empatia.

    As descobertas Obhi fornecem uma base neural para o fenômeno que Keltner chamou de "paradoxo do poder", segundo o qual, uma vez que as pessoas chegam ao poder, elas perdem algumas das habilidades que eram necessárias para obtê-lo.

    Na psicologia e neurologia, a imitação é um tipo sutil de cópia que ocorre inteiramente dentro de nossas cabeças sem a nossa consciência. Quando observamos alguém realizar uma ação, a parte do cérebro que seria usada para realizar a mesma coisa "acende", como uma resposta empática.

    No estudo conduzido por Obhi, o reflexo neurológico foi registrado em pessoas com menos poder. O mesmo não aconteceu com os indivíduos que detinham algum poder.

    Keltner sugere que, embora seja difícil de evitar a tendência do poder de afetar o cérebro, as pessoas podem parar de se sentir poderosas de vez em quando. Apesar de afetar a nossa maneira de pensar, o poder não é um cargo ou uma posição, mas um estado de espírito, disse o psicólogo. Ao recordar um evento, no qual o indivíduo não se sentiu tão poderoso, sugere Keltner, o cérebro pode voltar a "comunicar-se com a realidade" e ser mais empático.

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