11:09 24 Agosto 2019
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    Médico prepara injeção (imagem ilustrativa)

    Cientistas querem uma vacina para proteger leitores de notícias falsas

    © AP Photo / Achmad Ibrahim
    Ciência e tecnologia
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    Cientistas comportamentais estão estudando se a mente humana pode ser induzida a reconhecer a refutar notícias falsas.

    Em um estudo recente, 100 participantes receberam um relatório científico, mas também foram informados de que uma desinformação intencional seria incluída. Os participantes no estudo comportamental, após o aviso, conseguiram identificar os fatos falsos com precisão de 100%, conforme o portal Rawstory.com.

    Os participantes do estudo foram informados de que "especialistas falsos" são tipicamente usados ​​por indústrias que procuram refutar o consenso científico e os resultados finais indicaram que a política e os valores não eram indicativos da capacidade do grupo de estudo ao identificar falsificações.

    "Ninguém gosta de ser induzido em erro, não importa sua visão política", disse um pesquisador envolvido com o projeto.

    Seres humanos rejeitam instintivamente fatos que contradizem seus sistemas de crenças pessoais, a chamada "cognição de proteção de identidade", termo cunhado pelo professor da Universidade de Yale, Dan Kahan. O resultado disso é que uma pessoa que se identifica com informações que vão ao encontro de suas próprias crenças.

    Agora os cientistas estão buscando uma maneira de inocular a prática, para permitir que uma pessoa reconheça uma verdade científica provável como verdade e altere seu ponto de vista.

    Mas o que é a verdade?

    Estudos anteriores da professora de psicologia de Cambridge, Sander van der Linden, mostraram que a aceitação simples da existência de outro ponto de vista pode ajudar a permitir que pessoas tenham a possibilidade de mudar seus pontos de vista.

    O efeito das notícias falsas
    © Sputnik / Vitaliy Podvitskiy
    Cientistas, incluindo van der Linden, concordam que a aceitação do ponto de vista do outro pode suavizar as reações defensivas combativas, inclusive entre aqueles que resistem à informação factual apenas porque desafiam seu sistema de crenças.

    "As mensagens de consenso não pedem às pessoas para mudar suas crenças, mas sim que mudem sua opinião sobre o que outras pessoas acreditam, então elas não são uma ameaça direta à sua identidade", detalhou Van der Linden.

    "O que é importante é lidar com os fatos — os fatos são as manchetes — então, apresente o mito e explique por que está errado", afirma a cientista, indo além ao supor que o estudo pode ser um progresso no debate em torno da questão da mudança climática, por exemplo. Embora haja dados que sustentem a teoria, o problema ainda é refutado por uma parcela da população.

    "Há um consenso de evidências de que a atividade humana está causando todo o aquecimento global recente. Não é um pouco, nem mesmo a maior parte. Todo", explicou.

    Observando que é "muito fácil induzir as pessoas a pensar que os especialistas discordam do aquecimento global causado pelo homem", Van der Linden sugeriu que "se você quer descobrir se está sendo enganado, analise os 'especialistas' que estão sendo citados".

    O cientista cognitivo e professor adjunto da Universidade de Queensland, John Cook, comentando sobre como opiniões conflitantes podem coexistir dentro do sistema de crenças de uma pessoa, disse acreditar que as pessoas "querem saber como essas duas coisas podem existir juntas".

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    Tags:
    notícias falsas, aquecimento global, Universidade de Queensland, Universidade de Cambridge, Universidade de Yale, John Cook, Sander van der Linden, Dan Kahan, Estados Unidos
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