00:49 20 Setembro 2017
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    Base de Alcântara.

    Base de Alcântara: Parceria com outros países não põe em risco soberania nacional

    Estadão Conteúdo / Lisandra Paraguassu
    Ciência e tecnologia
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    Quatro países – Rússia, EUA, França e Israel – querem utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara, a base brasileira de foguetes espaciais, no Maranhão. O diretor-presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Braga Coelho, destaca que a parceria poderá melhorar o programa espacial brasileiro.

    O interesse de Rússia, Estados Unidos, França e Israel em fazer parceria com o Brasil para a utilização do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) foi revelado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, na semana passada, nas próprias dependências do Centro.

    Nesta segunda-feira, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o diretor-presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Braga Coelho, falou sobre as vantagens de uma possível parceria.

    "A nossa base de lançamento tem uma localização estratégica excepcional. Ela fica quase dentro do plano do equador, a apenas dois graus sul", explica o físico José Raimundo Braga Coelho. "Para os lançamentos mais cobiçados, os que geram mais negócios, que são os lançamentos em órbita equatorial, em órbita geoestacionária, dentro do plano do equador, essa é a base de lançamento mais bem situada do mundo."

    O diretor-presidente da AEB explica o interesse internacional sobre Alcântara:

    "É natural que todos os países que tenham programa de lançamento de satélites tenham uma certa cobiça pela nossa base de lançamento. Às vezes, as pessoas se confundem porque não são da área, achando que qualquer lançamento da base de Alcântara é sucesso, é melhor do que em qualquer outro lugar. Isso não é verdade. Só é verdade para os lançamentos que forem feitos em órbitas geoestacionárias ou órbitas equatoriais. Porque, no momento do lançamento, que em geral é feito utilizando a rotação da Terra – e essa rotação é muito alta, da ordem de 5 mil quilômetros por hora – o lançador já ganha esses 5 mil quilômetros por hora de impulso, digamos assim."

    Uma órbita é considerada geoestacionária quando é circular e se processa exatamente sobre o equador da Terra, nos pontos de latitude zero, e a sua rotação acompanha exatamente a rotação da Terra.

    Em relação às propostas apresentadas pelos quatro países – Rússia, Estados Unidos, França e Israel –, José Raimundo Braga prefere ser cauteloso a especificar qual deles poderia ter apresentado a melhor vantagem ao Brasil:

    Carrier-rocket Cyclon-3 ready to take off from Plesetsk space center. (File)
    © Sputnik/ Archive of the Space Research Institute

    "Temos que pensar muito nisso, porque não acredito que haja proposta específica com relação a isso. O que há é o desejo de vários países de ter a possibilidade de negociar com o Brasil."

    O diretor-presidente da AEB descartou qualquer possibilidade de o Brasil sofrer abalos em sua soberania caso firme contrato de parceria com outro país, ou outros países, para utilização do Centro de Lançamento de Alcântara:

    "Pelo contrário. Isso vai contribuir cada vez mais para consolidar nossa soberania, desde que tenhamos o cuidado de respeitar os direitos de todos os outros países assim como eles respeitarão os nossos direitos. Não haverá nenhum problema envolvendo a soberania nacional. O que justifica essas iniciativas são os investimentos que serão feitos aqui e os recursos que eventualmente contribuirão para melhorar o programa espacial brasileiro."

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    Tags:
    satélite, satélite geoestacionário, lançamento espacial, base espacial, AEB, José Raimundo Braga Coelho, Alcântara, Maranhão, Israel, França, Rússia, EUA, Brasil
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