05:34 24 Setembro 2017
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    Uma estrela cadente cruza o céu noturno atrás do farol em Pilsum, Alemanha do noroeste

    Terra pode ficar sem estrelas

    © AFP 2017/ MATTHIAS BALK / DPA
    Ciência e tecnologia
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    A “semeadura” da atmosfera do planeta com partículas de aerossóis para seu arrefecimento e retardamento da mudança climática fará a luz da maioria das estrelas se tornar invisível ao olho humano, informa a edição online Space.com.

    "Este método para resolução final da questão do clima funciona muito rápido, é muito barato e pode ser feito, de fato, já hoje. Mas surge imediatamente a questão se esse retardamento do aquecimento global vale os efeitos negativos provocados pelas emissões de aerossóis para a atmosfera", disse Charlie Zender da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA).

    Considera-se que os aerossóis — gotículas microscópicas de líquidos e partículas sólidas — refletem parte dos raios solares e contribuem para a condensação da umidade nas nuvens, o que "esfria" muito o nosso planeta. A maioria dos climatologistas sugere que a maior parte dos aerossóis é formada graças à acção de vapores de amônia e de ácido sulfúrico nas camadas baixas da atmosfera.

    Como mostram pesquisas do clima mais recentes, o forte aumento da concentração de aerossóis na atmosfera ao longo dos últimos 10-15 anos foi uma das razões pelas quais o aquecimento global tem retardado um pouco seu progresso nos anos 2000. Por isso, muitos cientistas pensam hoje em dia seriamente em começar semeando artificialmente a atmosfera da Terra com aerossóis para uma desaceleração ainda maior do aquecimento.

    De acordo com Zender, tal solução terá muitos efeitos negativos, alguns dos quais terão forte impacto sobre a astronomia e a aparência do céu. Como demonstram seus cálculos, a adição de um grande número de aerossóis vai fazer com que a poluição luminosa do céu noturno, gerada por fontes artificiais de luz na Terra, aumentará significativamente, porque estas gotículas podem reflectir a luz vinda não só "de cima", a partir da Lua e do Sol, mas também "de baixo".

    Mais importante é o que este aumento vai funcionar em todo o território do planeta, porque os aerossóis serão distribuídos uniformemente por toda a atmosfera da Terra. Como resultado, as estrelas mais fracas, que agora são pouco visíveis nos recantos mais escuros do mundo, vão se tornar praticamente invisíveis a olho nu e a telescópios simples.

    Um problema adicional é que as gotículas dos aerossóis vão refletir a própria luz das estrelas, galáxias e outros objetos cósmicos distantes, tornando-os ainda mais pálidos. De acordo com Zender, na maior parte do mundo habitado o brilho do céu noturno vai aumentar em 25%, o que torna praticamente todas as estrelas, até mesmo as mais brilhantes delas, invisíveis aos habitantes de todas as megalópoles.

    Por um lado, tal "sacrifício" pode parecer pequeno, mas, como sublinha o astrônomo, hoje em dia nós não sabemos quase nada sobre como a luz das estrelas afeta a vida e vários processos naturais da Terra. Por exemplo, escaravelhos africanos usam a luz da Via Láctea para orientação no espaço e seu desaparecimento do céu terá impacto muito negativo em suas vidas. Outro exemplo disso, como nota Zender, são as jovens tartarugas marinhas que precisam de escuridão nas primeiras horas e dias após a eclosão.

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    Tags:
    pesquisa científica, pesquisadores, luz, planetas, estrelas, atmosfera, aquecimento global, clima, cientistas, Sol, Lua, EUA
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