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    Astrônomos revelam estrela 'gêmea' do Sol que devorou metade de seus planetas

    © REUTERS / Edgar Su
    Ciência e tecnologia
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    Na constelação de Centauro, os cientistas encontraram uma estrela extremamente invulgar que, pelo seu peso e luminosidade, é parecida com o Sol, e ao longo dos últimos vários bilhões de anos tem devorado ao menos a metade de todos seus planetas, diz a matéria publicada pela revista Astronomy & Astrophysics.

    "Esta descoberta não quer dizer que o mesmo aconteça à Terra em algum período próximo. Por outro lado, a nossa descoberta é uma prova de que os sistemas planetários podem passar por períodos muito tempestuosos e brutais, e isto bem poderia acontecer também no nosso Sistema Solar", afirmou Jacob Bean da Universidade de Chicago, nos EUA, citado pela Astronomy & Astrophysics.

    Bean e seus colegas fizeram esta descoberta ao vigilar a estrela HIP68468, situada à distância de apenas 300 anos-luz da Terra em direção à constelação do Centauro, e ao usar o dispositivo HARPS, capaz de encontrar planetas pelos desvios dentro do espetro sideral, que surgem devido à sua interação gravitacional.

    Ao estudar o espetro deste astro, que pelo tamanho, luminosidade e idade é parecido com o do Sol, os cientistas repararam em linhas estranhas que absorvem radiação e que indicam o fato de que esta estrela tem elementos extremamente atípicos dentro de si — lítio, ferro e uma série de outros elementos que são mais pesados do que o hidrogênio e hélio.

    Tal descoberta foi uma surpresa para os cientistas, já que indica o fato de nós estarmos enganados nas avaliações da idade da HIP68468 por considerá-la vários bilhões de anos mais nova do que ela é na realidade, ou seja, que a estrela tem uma história extraordinária de relações com sua família planetária.

    Hoje, segundo demonstraram os experimentos feitos via HARPS, são dois os planetas que orbitam ao redor do chamado "sósia do Sol" — o Superterra, que é 3 vezes mais pesado que o nosso planeta, e o Netuno quente, cujo peso ultrapassa o do "original" em 6 vezes.

    Veículos espacial Cygnus transportando mais de três toneladas de carga se aproxima da Estação Espacial Internacional em 9 de dezembro. A imagem foi publicada pela NASA no Twitter.
    © AP Photo / NASA/Scott Kelly
    Ambos os corpos celestes estão muito perto da HIP68468 — o primeiro circula ao redor da estrela a uma distância 10 vezes menor que Mercúrio ao volta do Sol, e o segundo fica na atual órbita de Vénus.

    Tal localização dos planetas quer dizer que tanto o planeta gasoso como a Superterra hoje em dia estão em outro lugar — eles migraram em direção à HIP68468 já após seu amadurecimento, e este processo de aproximação, segundo explicam os cientistas, indicou aquilo que, de modo artificial, tornou a HIP68468 "velha".

    De acordo com Bean, o excesso de lítio dentro desta "prima do Sol" surgiu porque no passado recente a HIP68468 "comeu" um ou dois planetas que foram expulsos em direção do astro pelo planeta gasoso em migração. Na sequência disso, as camadas superiores do núcleo sideral foram impregnados de lítio e outros metais descobertos pelo espectrômetro da HARPS.

    "Aquilo que vimos é como se observássemos um gato sentado perto de uma gaiola com um passarinho. Se há um penas amarelas saindo da boca dele, é quase garantido que ele comeu o canário", concluiu o colega de Bean, Megan Bedell.

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    Tags:
    pesquisa científica, órbita, planeta, astro, estrelas, astrofísica, HARPS, NASA, Espaço, Mercúrio, Sistema Solar, Sol
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