22:15 10 Dezembro 2016
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    Representação artística da superfície de Plutão com Caronte à distância

    Planetólogos desvendam mais um segredo do 'coração congelado' de Plutão

    © flickr.com/ NASA Solar System Explora
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    As famosas planícies do satélite, onde está localizado o brilhante "coração" de Plutão, poderiam ter mudado de posição e assumido a forma atual mesmo que um grande asteroide não tivesse caído em Plutão, de acordo com artigo publicado pela revista Nature.

    "O coração grande de Plutão tornou-se um fardo muito pesado para o pequeno planeta, responsável pela criação da depressão. Algo parecido aconteceu com a Terra quando a Groenlândia foi coberta por uma casca de gelo. [A Groenlândia] 'espremeu' a crosta terrestre, criando uma lacuna no nosso planeta, que causou uma anomalia gravitacional", disse o pesquisador Douglas Hamilton da Universidade de Maryland em College-Park (EUA).

    Quando a sonda New Horizons se aproximou de Plutão e do conjunto de satélites em junho do ano passado, a primeira e a mais extraordinária característica descoberta pelos cientistas sobre sua superfície foi o famoso "coração" de Plutão, planície de cor mais clara quando comparada ao resto da superfície do nanico planeta.

    Essa forma de relevo, de acordo com planetólogos, que se baseiam nos dados da sonda New Horizons, originou-se há muito tempo como resultado da queda de um grande asteroide, cujo diâmetro provavelmente superava os 200 km. O cataclismo na superfície de Plutão deixou sua marca de 4 a 5 km de profundidade, alterando, assim, de forma significativa o clima do planeta e foi gradualmente preenchido com gelo de nitrogênio e dióxido de carbono.

    Pouco a pouco, o acúmulo de gele na cavidade começou a "puxar" o planeta para baixo, em sequência, as planícies do satélite, que anteriormente estavam localizadas nos Polos de Plutão, começaram a se mover para a Linha do Equador. Como resultado de todas essas mudanças, Plutão está alinhado ao seu satélite Caronte, considerado o maior entre "os amigos próximos" de Plutão.

    De acordo com o pesquisador, se levarmos em consideração às fórmulas climáticas e de subsolo do planeta nanico, a primeira fase deste processo — a queda do asteroide — não teria sido de extrema importância para a formação das planícies do satélite da forma como se encontram hoje em dia.

    Ele frisa que o "coração congelado" de Plutão poderia ter sido formado durante os primeiros anos de sua existência, quando o planeta nanico realizava o movimento de rotação a velocidades rápidas. O coração se locomoveu para o Polo de Plutão devido a duas coisas extraordinárias — o seu clima severo e a inclinação do eixo de rotação para 120 graus. Tais façanhas realmente poderiam explicar a localização atual do “coração gelado” do pequeno longínquo.

    Uma pequena mancha brilhante – é assim que o sol pareceria a partir da superfície de Plutão, o décimo corpo celeste a contar do Sol e o maior planeta anão do Sistema Solar.
    Uma pequena mancha brilhante – é assim que o sol pareceria a partir da superfície de Plutão, o décimo corpo celeste a contar do Sol e o maior planeta anão do Sistema Solar.

    Devido a mudanças bruscas de temperatura e inclinação incomum do eixo de Plutão, como disse Hamilton, os lugares mais frios do planeta, paradoxalmente, não são os seus Polos, mas as estreitas linhas das latitudes temperadas, localizadas a uma latitude de 30 a 40 graus a norte e sul.

    Com o passar tempo, as grandes geleiras, que foram formadas em tal localização, tornaram-se ainda mais frias por refletirem a luz com mais intensidade do que outras partes da superfície de Plutão. Isso acelerou a acumulação de gelo no "coração" de Plutão, consequentemente, formando uma "cratera profunda". Esses fatores foram responsáveis pela queda de temperatura do ar e o acúmulo de gelo ainda mais rápido, daí a anomalia gravitacional.

    No fim das contas, estando ou não relacionada à hipótese de formação das planícies através da queda de um grande asteroide, o eixo de rotação de Plutão começou a se deslocar, levando a mudança do coração de Plutão para mais perto da Linha do Equador, causando a virada do planeta para o maior satélite Caronte. Segundo a teoria de Hamilton, o coração vem se descongelando lentamente, e segundo o planetólogo, é possível perceber isso através das imagens feitas pela New Horizons.

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    superfície, coração, gelo, nascimento, asteroide, satélite, clima, planeta, Plutão
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