05:45 11 Dezembro 2017
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    A bomba termonuclear é exibida no museu de armas nucleares no Centro Russo Nuclear Federal na região de Nizhny Novgorod

    Misterioso laboratório com segredos nucleares da Rússia completa 70 anos

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    O dia 9 de abril marca o 70º aniversário da criação do instituto nuclear em Sarov, que se tornou uma das mais importantes instalações militares dos séculos XX e XXi na história da Rússia.

    O local, formalmente conhecido como Centro Nuclear Federal Russo do Instituto Russo de Pesquisa Científica para Física Experimental (RFNC-VNIIEF), foi construído em 1946, em Sarov, uma cidade no centro da Rússia. Ele se tornaria o coração do programa de pesquisa nuclear soviético e, posteriormente, russo. A instalação era tão secreta que até 1991 a cidade era mencionada apenas como Arzamas-16 e não constava em nenhum mapa público.

    Para marcar a ocasião histórica, o diretor do RFNC-VNIIEF, Valentin Kostyukov, conversou com a agência russa RIA Novosti para lembrar do passado glorioso do instituto e falar de seus planos para o futuro. Ele sugeriu que não seria exagero dizer que o famoso local, que permanece cercado de mistério até hoje, foi e continua sendo “o orgulho da Rússia.”

    O instituto, primeiramente conhecido como KB-11, “se tornou o primeiro centro nuclear de nosso país”, lembrou Kostyukov. “As realizações de seus profissionais foram a base para a capacidade nuclear de nosso país, que continua a servir como fundação crucial para a segurança técnica militar da Rússia até hoje.”

    Em agosto de 1949, cientistas do KB-11 desenvolveram a RDS-1, primeira ogiva nuclear soviética. “Esse teste”, observa Kostyukov, “demonstrou que nosso país havia dominado uma das tecnologias essenciais do século XX. Os anos 50 viram os testes de armas termonucleares, cujo desenvolvimento foi a fundação para a criação da garantia (de segurança) de dissuasão nuclear.”

    Cientistas do centro implementaram dezenas de ideias originais e ambiciosas que permitiram à URSS alcançar a capacidade nuclear dos EUA, apesar da vasta superioridade de recursos dos americanos.

    “O sistema único de organização do trabalho no KB-11, que se concentrava não só em cientistas foras-de-série, mas também em projetistas, engenheiros e administradores, todos que passaram pela escola de industrialização e pela Segunda Guerra Mundial, rapidamente levou à criação não apenas de armas nucleares individuais, mas à sua produção em massa.”

    As realizações do instituto, aponto Kostyukov, servem para ilustrar a tremenda capacidade técnica e científica de realizar algo quando as condições possibilitam isso. Estas incluem, segundo o diretor, a existência de uma “supertarefa” de importância extrema, a unificação de esforços de especialistas de alto nível, e o necessário apoio do Estado.

    Hoje, Kostyukov afirma, o instituto continua um dos centros de alta tecnologia mais importantes da Rússia, trabalhando em áreas como armas nucleares, armas convencionais de alta tecnologia e inovações para a economia civil, como supercomputadores russos e softwares, além de tecnologias de segurança de informação usadas principalmente por instituições estatais nos setores de Defesa e espacial.

    Kostyukov afirma que “pode ser dito sem exagero que o RFNC-VNIIEF é o tesouro e orgulho da Rússia.”

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    Tags:
    pesquisa, armas nucleares, segredos nucleares, laboratório, RDS-1, RFNC-VNIIEF, Valentin Kostyukov, União Soviética, Rússia
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