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    Mar de Weddell, na Antártida
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    Expedição brasileira estuda como a vida evoluiu na Antártida

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    Paleontólogos brasileiros participaram da 34.ª Operação Antártica (Operantar), concluída neste mês. No total, foram 43 dias de expedição pelo continente antártico, que resultaram em uma coleta recorde de material de pesquisa – mais de 3 toneladas.

    Um dos participantes da 34.ª Operantar foi o Professor Alexander Kellner, da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além de paleontólogo, Kellner é também geólogo e pesquisador do Museu Nacional, no Rio. Falando à Sputnik Brasil, ele explica os objetivos da expedição, a segunda que realizou à Antártida (a primeira aconteceu entre os anos de 2006 e 2007).

    Mal chegou da Antártida, Alexander Kellner já se prepara para uma terceira viagem àquele continente: será no próximo ano, para aprofundar as pesquisas realizadas nestes primeiros meses de 2016.

    Base brasileira na Antártida
    Divulgação / Proantar / Marinha do Brasil
    “Nós temos como objetivo tentar desvendar um pouco a vida e o passado geológico do continente antártico, que é uma das regiões mais inóspitas do nosso planeta”, explica o paleontólogo. “Estivemos pela primeira vez naquela região em 2006 e 2007 e demos prosseguimento a esse projeto somente agora, em 2015 e 2016, quando tivemos a oportunidade de passar acampados por 43 dias na Ilha James Ross.”

    O Professor Kellner fala dos objetivos de seu trabalho na Antártida:

    “O que procuramos fazer é tentar desvendar e estudar a evolução da vida, como ela ocorreu em diversos lugares na face da Terra. Um dos lugares de que nós temos menos informação é justamente o continente antártico, porque a maior porção desse continente passa a maior parte do ano coberta por gelo e neve, e só em pequenas áreas é que nós temos a oportunidade de fazer escavações paleontológicas procurando fósseis, porque é nessas pequenas áreas que durante o verão antártico temos exposição das rochas. Ou seja, havendo neve e gelo, não encontramos nada, mas na exposição das rochas temos uma chance de encontrar os fósseis.”

    O resultado das escavações feitas ao longo de mais de 40 dias foi um volume de mais de três toneladas de material.

    “Nós trouxemos desde invertebrados fósseis até plantas fósseis e também vertebrados fósseis, que são o nosso objetivo principal. Das grandes descobertas, nós só vamos falar sobre elas quando tivermos as publicações realizadas.”

    À pergunta se iremos, então, saber que tipo de animal habitava a Antártida, o Professor Alexander Kellner esclarece:

    “Não só animal como também planta, para tentar entender como evoluiu essa diversidade de vida nessa região do nosso planeta. É sempre bom lembrar que hoje a Antártida é um deserto gelado, é um lugar seco, um lugar que praticamente a diversidade de vida em terra é muito restrita. Mas no passado a Antártida era quase uma região temperada, com florestas e várias espécies de animais que hoje estão extintas.”

    Kellner explica ainda por que se deu essa mudança tão drástica:

    Pinguins observando o navio Ob a partir da costa, em 1965
    © Sputnik / Pavel Barashev
    “São as mudanças que ocorrem naturalmente em nosso planeta, seja por modificação da posição dos continentes, seja por modificação do nosso planeta, que se distancia e se aproxima do Sol à medida que vai passando o tempo. São mudanças naturais que ocorrem e que afetam o ambiente, e ao afetar o ambiente afetam a fauna e a flora que existem numa determinada região.”

    O paleontólogo do Museu Nacional destaca ainda que, se quisesse trazer 5 toneladas de material, poderia ter trazido, “porque os fósseis existiam, mas o nosso ponto não é achar aquele fóssil que ‘é comum’, como plantas e invertebrados. Nós buscamos as raridades que são os vertebrados fósseis”.

    “Na primeira viagem nós trouxemos algo em torno de 20 a 30kg de material, Desta vez, perto de 500kg de material só de vertebrados, que é o objetivo principal de nossa pesquisa. E nós encontramos uma diversidade tremenda de organismos que vão sendo estudados à medida que façamos sua a preparação.”

    Finalmente, o Professor Alexander Kellner diz que, “quando se coleta tanto material como nós coletamos, temos objeto de pesquisa por alguns anos. Esperamos que nos próximos meses já publiquemos algumas coisas bacanas que encontramos, mas ao longo dos próximos três ou quatro anos esperamos todo ano publicar as novidades que vão sendo desvendadas à medida que os fósseis vão sendo preparados”.

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    Tags:
    fósseis, paleontologia, ciência, 34ª Operação Antártica (Operantar), Museu Nacional, UFRJ, Alexander Kellner, Ilha James Ross, Antártida, Brasil
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