03:40 28 Fevereiro 2020
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    OMS: zika vírus pode se espalhar por quase todos os países das Américas

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    Zika Vírus: Alerta global (77)
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    A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um alerta nesta segunda-feira de que a epidemia do zika vírus, suspeito de provocar microcefalia nos bebês, pode se espalhar para todos os países das Américas. Segundo a Organização Panamericana de Saúde, 21 dos 55 países e territórios das Américas já registraram a presença do vírus.

    A Organização Panamericana de Saúde explica que a rápida propagação do víruz zika tem se dado, em primeiro lugar, porque a população ainda não tinha sido exposta ao vírus e, portanto, não tinha imunidade. E, em segundo lugar, pelo fato de que o transmissor da doença, o mosquito Aedes Aegypti, é encontrado em toda a região, com exceção do Chile e do Canadá.

    A OMS recomenda no alerta que antes de viajarem para países onde há a transmissão do vírus, as pessoas se consultem em um serviço de saúde, principalmente as gestantes.

    Na Europa, a Itália já é o quarto país a notificar casos de contágio. Quatro italianos que viajaram pelo Brasil e tiveram o vírus em março do ano passado já se recuperaram. No Reino Unido, foram notificados no último fim de semana três casos, também de turistas que viajaram pela América do Sul. Na Espanha, duas gestantes contraíram o vírus, enquanto, em Portugal, quatro homens tiveram a doença no início de janeiro após retornarem de uma viagem ao Brasil.

    Por conta do medo da associação entre o vírus e a microcefalia, Equador, Colômbia, El Salvador e Jamaica pediram às mulheres que evitem engravidar por enquanto. As autoridades equatorianas também lançaram um plano de ação contra o mosquito transmissor da doença.

    No Brasil, uma parceria firmada entre o Insituto Vital Brazil, que é um laboratório do governo do Rio, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai desenvolver um soro contra o vírus zika. A previsão é de que o medicamento fique pronto em até três anos para o tratamento de pessoas infectadas pelo vírus.

    O diretor científico do Vital Brazil, Cláudio Maurício de Souza, explicou para a imprensa que esse soro vai funcionar da mesma forma que o antirrábico. Uma vez administrado em um paciente contaminado, ele irá identificar as partículas virais, se ligando à sua capa protetora e promovendo a sua inativação.

    “Os soros são na verdade produzidos em cavalos. Nós vamos induzir no cavalo uma resposta imune, onde o sistema imunológico do cavalo vai produzir uma grande quantidade de anticorpos, que já são capazes de reconhecer o vírus. Esses anticorpos são o principal elemento do soro. E uma vez esse soro administrado no corpo humano, na circulação, o anticorpo reconhece o vírus, se liga no vírus, promove a sua inativação e o bloqueio da sua ação”.

    De acordo com os pesquisadores do Instituto Vital Brazil, uma vez que o soro for aplicado em mulheres grávidas, logo após a confirmação do diagnóstico da doença, poderá evitar que o vírus entre em contato com o feto e assim impedir a microcefalia, doença que afeta o tamanho adequado da cabeça dos bebês.

    No último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na semana passada, foram registradas 3.893 notificações de casos suspeitos de microcefalia causada pelo vírus zika, identificados em 720 municípios de 21 estados do Brasil. Até agora, foram confirmados 230 casos de zika vírus.

    Para reforçar o combate ao mosquito Aedes Aegypti, responsável por transmitir, além do zika vírus, também a dengue e a febre chikungunya, o Ministério da Saúde iniciou uma caravana com agentes de saúde e militares para percorrer o país. A meta é visitar todos os domicílios do Brasil para combater o mosquito até o fim de fevereiro. Até a semana passada, 7 milhões e 400 mil residências em todo o Brasil foram visitadas, o equivalente a 15% das 49 milhões de casas previstas. Desse total, 3% apresentaram focos do mosquito transmissor, o que corresponde a 222 mil residências.  

    Em coletiva à imprensa, o Secretário-Executivo Substituto do Ministério da Saúde, Neilton Oliveira, disse que a expectativa do governo é reduzir esse número para 1% até fevereiro.

    “Se nós chegarmos ao final de fevereiro e alcançarmos a meta de 100%, e virmos que o total de municípios apresenta uma infestação acima daquilo que nós previmos, nós estaremos já com uma estratégia preparada para esse momento novo, que nós vamos encontrar”.

    Neilton Oliveira chamou atenção para o fato de que o combate ao mosquito tem que ser permanente e não somente sazonal.

    “Nós não estamos trabalhando com uma coisa que vai ser feita agora e vai embora, acabou. Esse é um processo de sustentação permanente que vai ter etapas diferenciadas de janeiro a junho, que é o período no qual aumenta muito a curva de incidência da dengue, e de criação do mosquito. Depois tem uma diminuição, que é o que chamamos de período sazonal. Portanto, para essa etapa nós vamos ter uma estratégia, e, para outras etapas, nós vamos ter outra”.

    No Rio de Janeiro, por causa do carnaval e das Olimpíadas, a prefeitura está intensificando as medidas de combate ao mosquito Aedes Aegypti.

    No fim de semana, a Secretaria de Estado de Saúde fez uma parceria inédita com os blocos Spantinha e o Bloco Spanta Neném, na Zona Sul do Rio de Janeiro, promovendo uma ação especial de conscientização de combate ao Aedes aegypti, com crianças, adultos e principalmente com as grávidas.

    Por causa do aumento do receio internacional para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em agosto e setembro, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que vai intensificar a partir de abril a vistoria nas instalações olímpicas para combater o mosquito. E, se for preciso o uso de fumacê, isso se dará antes dos jogos. No início das competições, o inseticida não será mais usado, porque é contra indicado em áreas de grande movimentação de pessoas. Ainda segundo a administração municipal, durante os jogos também vão ser realizadas ações diárias nos locais de competições para eliminar possíveis focos do Aedes aegypti.

    Tema:
    Zika Vírus: Alerta global (77)
    Tags:
    microcefalia, Aedes Aegypti, zika, Chikungunya, dengue, vírus, saúde, Insituto Vital Brazil, UFRJ, OMS, Cláudio Maurício de Souza, Neilton Oliveira, El Salvador, Jamaica, América do Sul, Chile, Colômbia, Portugal, Itália, Canadá, Espanha, Reino Unido, Equador, América Latina, Rio de Janeiro, Brasil
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