03:53 24 Agosto 2017
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    Após revelações de Snowden, governo brasileiro passou a utilizar telefones criptográficos, antes ignorados em Brasília
    © flickr.com/ Brian Klug

    Segurança da internet: Como se defender da espionagem internacional?

    Ciência e tecnologia
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    Geórgia Cristhine
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    Acontece em Florianópolis, SC, o XV Simpósio Brasileiro de Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais, principal fórum do país para a divulgação de resultados de pesquisas e intercâmbio de ideias ligadas à área. Na pauta, entre vários outros temas, a espionagem na internet e os ataques DDoS.

    Atualmente, uma das principais preocupações no mundo da tecnologia da informação é o chamado ataque DDoS (Distributed Denial of Service, em inglês), também conhecido como ataque de negação de serviço, ou seja, uma tentativa de fazer com que aconteça uma sobrecarga em um servidor ou computador comum para que recursos do sistema fiquem indisponíveis para seus usuários.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o analista de Segurança da Informação e diretor-executivo do Instituto Coalisa, Lincoln Werneck, explica que o ataque DDoS é muito utilizado hoje em todo o mundo.

    “Traduzindo ao pé da letra, é a negação de serviço de um site, em que são feitas inúmeras requisições para um portal, até que ele não consiga responder mais a essas chamadas, e o site acaba ficando indisponível. É uma técnica muito usada hoje em dia no Brasil e no mundo.”

    Segundo Werneck, as motivações para um ataque DDoS são diversas, passando por questões políticas e econômicas.

    “Ao longo dos últimos três anos, por exemplo, nós vimos alguns movimentos de ciberativistas que usaram o ataque para a questão do ativismo social na rede, como o Anonymous Hacker, ou grupos ligados ao movimento digital social no caso do Egito, ou nos Estados Unidos, que aconteceram por toda parte, que foram arquitetados, pessoas que se reuniram ao redor do mundo e resolveram fazer ataques a certos portais. Há um lado financeiro também, ou motivo nenhum, atacar por atacar para ver se aguentam.”

    Sobre se seria possível desenvolver mecanismos de tecnologia da informação que protejam 100% as atividades de autoridades nacionais, principalmente após as denúncias de espionagem que vieram à tona, em 2013, pelo ex-prestador de serviços da NSA – Agência de Segurança Nacional americana, Edward Snowden, de que os EUA monitoravam líderes e autoridades de outros países, como a Presidenta Dilma Rousseff, Lincoln Werneck explica que 100% de segurança nunca vão existir.

    No caso de Snowden, por exemplo, o analista de Segurança da Informação diz que a Presidência da República não estava usando telefones criptografados.

    “A Presidência da República e todo o staff de ministros dispõem de uma tecnologia avançada de telefones criptográficos para poderem conversar de forma segura – e eles não estavam usando. Após o caso Snowden, eles passaram a usar os telefones e as linhas seguras. Existem formas de reduzir os ataques, mas segurança 100% é complicada. Uma das coisas ditas por Edward Snowden na época é que a NSA e a agência de inteligência britânica estavam fazendo escutas através dos cabos submarinos, e aí não é nem mais internet.”

    Lincoln Werneck ressalta que é um jogo de gato e rato e que, apesar do presidente dos EUA, Barack Obama, dizer que parou de espionar outros países, essa espionagem não vai parar nunca.

    “Não há como parar, essa vigilância vai continuar. Agora, os países também precisam criar novos mecanismos de proteção.”

    Tags:
    segurança cibernética, espionagem, DDoS, Simpósio Brasileiro de Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais, Agência Nacional de Segurança (NSA), Instituto Coalisa, Sputnik, Lincoln Werneck, Edward Snowden, Dilma Rousseff, Barack Obama, Santa Catarina, Florianópolis, Brasília, Brasil
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