03:58 24 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    Mar de Kara, Ártico russo

    Pedido da Rússia sobre o Ártico tem chance de superar discussão politizada

    © Sputnik/ Valery Melnikov
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    265251

    Em entrevista, o coordenador do projeto ártico russo explicou que a iniciativa será útil para todos os países da região.

    Após mais de 10 anos de pesquisa intensiva, nesta terça-feira (4), a Rússia apresentou o seu pedido revisado para a ampliação da sua plataforma continental no Ártico. Leopold Lobkovsky, coordenador científico do projeto e vice-diretor para assuntos de geologia do Instituto de Oceanologia explicou, em entrevista exclusiva à RIA Novosti, os pormenores do projeto.

    Segundo Lobkovsky, o pedido russo é fundamentado em um modelo de desenvolvimento inovador do Ártico, em “uma conceção científica nova, uma direção completamente nova”. O cientista explica que este modelo retifica vários momentos que os modelos anteriores omitiam ou não conseguiam explicar.

    “Já nós construímos, pela primeira vez, um modelo físico, apresentamos um mecanismo real de movimento de placas da litosfera no Ártico, explicando a origem dos elementos tetônicos e das estruturas principais do fundo do oceano Glacial Ártico”, disse o geólogo.

    O modelo elaborado pela equipe científica russa demonstra que as cordilheiras Lomonossov e Mendeleev-Alpha, reivindicadas pela Rússia, fazem efetivamente parte da plataforma continental eurasiática.

    Lobkovsky frisa que o modelo não só permite atribuir vários elementos da plataforma à Rússia. A Dinamarca e o Canadá, por exemplo, também podem ver a sua plataforma continental ampliada:

    “Hoje, nós vemos uma espécie de ponte tetônica no meio do oceano Glacial Ártico, cordilheiras continentais submersas. Elas unem os extremos da Eurásia e da América do Norte. É de fato a base para a ampliação da plataforma – tanto do lado da Rússia, como do lado do Canadá e da Dinamarca. Eles também deveriam fundamentar os seus pedidos neste modelo. Desta maneira, determinados critérios permitirão ampliar a plataforma para além das zonas de 200 e 350 milhas, prolongando as fronteiras jurídicas das plataformas até o polo Norte. Foi criada uma base que, eu acho, deverá servir como fundamento científico para os pedidos dos países árticos. Porque a ciência não tem nada a ver com a ideologia e o nosso modelo difere de tudo o resto pelo fato de explicar de forma transparente o mecanismo físico de evolução da bacia ártica, que mostra a formação das suas estruturas principais”.

    Contudo, em função da tensão em torno da Rússia por causa do seu suposto envolvimento no conflito ucraniano, a política pode afetar a consideração do pedido russo. Mas o coordenador do projeto ártico russo prefere ser otimista:

    “É certo que estamos observando agora uma situação pouco favorável em relação à Rússia. Mas é uma discussão científica aberta e não um jogo às escondidas. As perguntas são transmitidas ao site da ONU, o processo não é momentâneo. Eles irão passar para nós as suas dúvidas e, se nós estivermos seguros do nosso modelo, poderemos responder a elas”.

    Portanto, o pedido não será estudado nem aprovado em breve. Poderá demorar “vários anos”, diz Lobkovsky, sublinhando que, devido a este fato, é preciso fazer com que o pedido seja elaborado da melhor forma possível. “Deve ser melhor do que outros [pedidos], para que possamos ultrapassar os pontos de vista alternativos que outros geólogos – por exemplo, os estadunidenses – podem apresentar. E isso faz parte da discussão científica”.

    Perguntado sobre como seriam as consequências para outros pretendentes ao Ártico se o pedido russo for aprovado, o cientista disse que é favorável tanto ao Canadá, como à Dinamarca, que poderão estender as suas plataformas continentais, seguindo o exemplo russo.

    Mais:

    Rússia pede na ONU a ampliação de suas fronteiras no Ártico
    Rússia controla águas do Ártico na distância até 500 quilômetros do litoral
    Nova Doutrina Naval russa: toda a atenção no Atlântico e no Ártico
    Rússia abre novo posto de controle no Ártico para estimular o turismo
    Russos quebram recorde mundial de profundidade em mergulho no Ártico
    Rússia dobrará tropas e equipamentos militares em região do Ártico
    EUA confessam que foram ultrapassados pela Rússia no Ártico
    Rússia começa a usar drones para monitorar o Ártico
    Tags:
    ONU, Canadá, Dinamarca, Rússia, Ártico
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik