11:11 18 Outubro 2017
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    Usina nuclear da Angra dos Reis

    China aposta em energia atômica

    © AP Photo/ Felipe Dana
    Ciência e tecnologia
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    Até 2020 a China pode se tornar um dos líderes entre os produtores de energia atômica, ultrapassando a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão, segundo as previsões do Departamento de Energia norte-americano.

    Segundo os seus dados, agora no território do país funcionam 13 usinas nucleares em 8 províncias. Até 2020 a China já está construindo 26 novas usinas e planeja montar mais 39.   

    No entanto, agora a quota-parte da energia nuclear na China representa somente 2.5% do volume geral de energia produzida. Obviamente, isso é necessário para um país que “sufoca” por causa das emissões das usinas termoelétricas. Por isso, o desenvolvimento da energia nuclear é uma das prioridades do governo chinês.

    A Rússia contribui para a realização desta estratégia. O país participou na construção da usina nuclear de Tianwan, com dois blocos geradores na província de Jiangsu, em 2007. Mas os trabalhos ainda não finalizaram. Em 2018 vão ser adicionados outros dois blocos, as partes conduzem negociações sobre o quinto e sexto blocos. Se a Rússia e a China firmarem o acordo sobre mais dois blocos, de que poucos duvidam, a usina se tornará a maior de todas as já construídas na China ou em construção. Mas, o que é importante, já é considerada a mais segura, o que foi comprovado pelo vice-diretor da Corporação Estatal de Energia Nuclear Rosatom, Kirill Komarov.

    Com certeza, a segurança é a questão-chave depois do acidente em Fukushima. Neste aspeto, a Rússia possui tecnologias próprias. Elas acumulam elementos dos sistemas de segurança ativo e passivo e incluem uma série de know-how russo, tais como a organização da armadilha da fusão na zona ativa. Isto permite garantir a segurança durante quaisquer cataclismos, mesmo sem intervenção humana.

    Armadilha de íons
    © Foto: Universidade de Investigação Nuclear adstrita ao Instituto MIFI
    Existem outros exemplos de cooperação russo-chinesa na esfera nuclear. O Reator Rápido Experimental da China (CEFR) foi construído com a ajuda da Rússia em 2014. No futuro na província Fujian pode ser montada uma usina nuclear com reatores de neutrões rápidos que não criam resíduos radioativos. Poucos países têm esta tecnologia, e a Rússia é considerada líder.

    Uma outra área da cooperação entre a China e a Rosatom são as usinas nucleares flutuantes, que permitem fornecer energia a povoações de difícil acesso. Na primavera de 2014 foi firmado o memorando de cooperação. A China está interessada numa série de tais usinas.

    A Rússia está pronta para os construir e não faz objeção a que os componentes “não-nucleares” das usinas flutuantes sejam produzidos na China. Segundo o diretor da Rosatom Sergey Kiriyenko, os aspetos práticos serão resolvidos no futuro próximo.

    A construção da primeira usina nuclear flutuante está sendo realizada no estaleiro báltico em São Petersburgo. O lançamento está agendado para 2016. A usina flutuante Acadêmico Lomonossov vai funcionar ao largo da cidade mais setentrional russa, na península de Chukotka.

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    Tags:
    energia nuclear, cooperação, Rosatom, China, Rússia
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