01:12 21 Fevereiro 2020
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    Os Estados Unidos não são capazes de competir com a Rússia no Ártico e já ficaram irremediavelmente para trás. Os russos exploram esta região promissora com muito mais sucesso, confessam fontes na Marinha americana.

    “Não concorremos com os russos na mesma categoria. Nós nem sequer participamos do jogo”, disse o chefe da Guarda Costeira americana, Paul Zukunft, citado pela edição Newsweek. 

    Em primeiro lugar os EUA têm falta de quebra-gelos. Neste momento os EUA só têm dois quebra-gelos a diesel para a exploração do Ártico. E só um deles funciona – o Polar Star. O outro quebra-gelo pesado, o Polar Sea, avariou alguns anos atrás e ainda não voltou ao mar. Podíamos pressupor que os EUA têm uma frota de pequenos quebra-gelos, mas na verdade existe só um — o USCG Healy.

    O canal de TV russo Vesti confirmou estes dados.

    Ao mesmo tempo, os EUA tentam usar os quebra-gelos simultaneamente na Antártida, o que não lhes permite agir de maneira operativa. Já foi criada uma petição que exige a compra de novos navios deste tipo, mas ainda não há resultados.

    Para comparar: a Rússia tem seis quebra-gelos atômicos e mais de uma dezena de quebra-gelos a diesel. Vladimir Pavlenko, diretor do Centro dos Estudos Árticos da Academia de Ciências da Rússia:

    “A Rússia é o único país que possui uma frota de quebra-gelos. É preciso sublinhar que os nossos quebra-gelos acompanham não só os navios que transportam cargas pela Via Marítima Setentrional, mas também os navios de pesquisa. Os EUA não têm tais capacidades”.    

    Mas porque o Ártico é tão importante para a Rússia e os EUA? Os cientistas americanos dizem que 15 por cento de petróleo, 30 por cento de todos os recursos de gás natural e 20 por cento de gás natural liquefeito estão concentrados no Ártico. Aleksandr Ignatyev, redator da revista Arkticheskie Vedomosty (Notícias do Ártico) explica a importância chave do Ártico para a economia russa:

    “Para a Rússia o desenvolvimento do Ártico é uma prioridade. Um quarto do território russo fica no Ártico [quer dizer, acima do círculo polar], o Ártico proporciona 20 por cento do PIB e 20 por cento das exportações. E tudo isso é feito por 1,5 por cento da população russa, que também merece boas condições de vida. Assim, a atenção em relação ao Ártico é absolutamente justificada. Ao mesmo tempo a Rússia colocou uma tarefa – conservar o Ártico como zona de paz e colaboração com outros países”.

    A Via Marítima Setentrional merece ser mencionada separadamente. Uma vasta frota de quebra-gelos permitirá à Rússia controlar completamente esta promissora via de navegação, que poderá substituir a rota marítima do sul, que passa pelo Canal de Suez. A Via Marítima Setentrional é mais curta e, em alguns aspetos, mais segura devido à pirataria no golfo de Áden e instabilidade no Egito. O caminho da Europa à Ásia demora pela rota do norte 35 dias, em vez de 48 dias se usarmos o canal de Suez. Após a queda da URSS, a Via Marítima Setentrional  foi quase abandonada, mas nos últimos anos o interesse em relação a ela está crescendo graças às ações ativas da parte russa. Neste momento o volume anual de cargas transportadas por esta via é de quatro milhões de toneladas, mas segundo o vice-premiê russo Arkady Dvorkovich, esse volume pode crescer 20 vezes daqui a 15 anos.    

    Além disso, neste momento a Rússia está construindo dez estações de pesquisa, 16 portos, 13 aeródromos e 10 estações de defesa antiaérea no Ártico.

    Tags:
    recursos naturais, quebra-gelo, navio, comércio, Arkady Dvorkovich, Ártico, EUA, Rússia
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