19:45 30 Março 2017
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    Estação de pesquisa marciana em Utah, EUA

    Psicologia é fator decisivo de sobrevivência no espaço

    © Foto: 143 MDRS
    Ciência e tecnologia
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    Vladimir Kultygin
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    Anastasiya Stepanova, jornalista moscovita de 28 anos, que faz parte dos 100 candidatos do processo seletivo da missão Mars One, de colonização do Planeta Vermelho, falou em entrevista à Sputnik Brasil sobre o estado atual do projeto e os sonhos do espaço.

    Entre os cem participantes está a moscovita Anastasiya Stepanova, jornalista de 28 anos. Se em 2016 ela passar para a fase final do projeto junto com outras 23 pessoas, poderá ir a Marte a partir de 2024.

    O correspondente da Sputnik falou com Anastasiya sobre o estado atual do projeto e os sonhos do espaço.

    – Como você se sente agora, antes de voar?

    – Normal. Faltam duas etapas de seleção, eu ainda não faço parte da equipe final para começar a preparação. No outono, a gente vai para a Europa e lá vai ter competições e treinos de grupo.

    Ceres
    © NASA. JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
    – Como foi a etapa de seleção?

    – O processo seletivo consistiu principalmente de testes psicológicos, de conhecimentos técnicos e de um exame médico geral. Era preciso saber coisas essenciais sobre Marte. Em dezembro, houve uma entrevista por vídeo, com uma mistura de perguntas técnicas e psicológicas. Nesta etapa, muitos candidatos foram rejeitados. A psicologia foi o aspecto mais importante, muitas pessoas mostraram o seu pior lado, não queriam aprender coisas, revelaram uma atitude egoísta.

    O nosso entrevistador foi Norbert Craft, ele já trabalhou na NASA, na Roscosmos, na Agência Espacial Japonesa. Ele possui uma grande experiência, ele sabe o que está fazendo.

    – Por que razão Marte foi escolhido para colonização?

    – Este planeta tem as características mais adequadas, comparado com outros planetas, a pessoa pode viver lá com certo nível de comodidade. Marte possui uma atmosfera, a gravidade lá é 2,5 ou 3 vezes menor do que na Terra, o dia dura 24 horas e 39 minutos, quase como na Terra. Existe um campo eletromagnético. Além disso, nós não possuímos uma tecnologia que nos permita voar muito longe.

    Por isso, os organizadores decidiram que Marte seria um avanço enorme para todos nós.

    Anastasiya Stepanova
    © Foto: 143 MDRS
    Anastasiya Stepanova
    – Na mídia aparecem com bastante frequência matérias cujos autores duvidam do êxito da futura missão, por conta da falta de equipamentos necessários e financiamento. São fundamentadas essas dúvidas?

    – O projeto todo se baseia em tecnologias existentes. O principal é que muito dinheiro será investido e muita gente com talento aplicará os seus esforços.

    Já há certos investidores em Londres. Eles ainda não revelam tudo, mas há informações de que os investidores concordaram em transferir, gradualmente, dentro de vários anos, 6 bilhões de dólares.

    – Como será a colônia em Marte?

    – Em 2022, seis módulos irão para Marte, precedidos pelo rover especial enviado em 2020. Quando os módulos chegarem, o rover ajudará a ligá-los, a abrir as suas baterias solares. Os módulos começarão a produzir o oxigênio e água do gelo presente no solo marciano. O solo será colocado em aparelhos espaciais, irá ferver, vaporizar e se condensar, dividir-se em água e oxigênio. Nós usaremos os recursos de Marte para viver.

    Ceres
    © NASA. JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
    No que toca à comida, nós não iremos depender da Terra, como acontece na Estação Espacial Internacional. Iremos cultivar plantas em estufas, com meios hidropônicos. Teremos que nos tornar vegetarianos.

    A energia será elaborada por conta das unidades fotovoltaicas, teremos também sistemas vitais, blocos técnicos e habitáveis.

    Se a primeira missão tiver êxito, a cada dois anos serão enviados seis novos módulos e, a cada ano, uma nova tripulação. Com isso, a colônia irá crescer.

    Quando nos adaptarmos, obtendo já defesa da radiação, iremos cobrir os módulos com o solo, porque solo e água protegem da radiação. Um campo magnético também protege, mas seria muito caro e injustificado levar sistemas magnéticos para lá. Os meios devem ser simples.

    – É possível estar na superfície de Marte sem traje espacial, por exemplo, após uma adaptação da atmosfera às necessidades do organismo humano?

    – É possível se o processo de terraformação se iniciar. Hoje, a causa principal da necessidade de um traje espacial é a pressão. Na superfície de Marte, a pressão é a mesma que a 25 km sobre a superfície da Terra. Já por isso um traje especial é necessário.

    Se o campo magnético de Marte for restaurado, melhoraria a situação com a atmosfera. Mas isso é muito difícil de fazer, só se for uma fábrica de gás de estufa ou se um cometa cair sobre Marte. E mesmo se a terraformação começar, só dentro de centenas de anos se poderá andar com roupa normal, mas com um aparelho de respiração, porque o oxigênio presente na atmosfera não será suficiente.

    É também a pressão que faz com que a superfície de Marte não tenha água em estado líquido. A água transforma-se imediatamente em vapor.

    Continua

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    Tags:
    Marte, espaço
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