18:38 20 Setembro 2021
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    Mesmo criticando constantemente atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), militares estariam nos bastidores dizendo que concordam com o posicionamento do ministro e presidente do STF, Luiz Fux, ao cancelar reunião entre Poderes ontem (5).

    Diante da postura adotada pelo ministro e presidente do STF, Luiz Fux, em relação às declarações ofensivas ao STF e ao TSE de Bolsonaro, em conversas reservadas, generais afirmam que a reação de Fux faz sentido, pois o comportamento do presidente deixa claro que ele não quer conversa, de acordo com a Folha de São Paulo.

    Segundo a mídia, mesmo sendo críticos da atuação de ministros do STF, os militares acreditam que a ofensiva do Judiciário pode frear o presidente da República.

    O que explicaria essa "aceitação" do Alto-Comando seria a escalada da crise e o temor do que pode ocorrer em 2022, ano de eleição presidencial.

    O procedimento aberto pelo TSE, a inclusão do presidente como investigado no inquérito da CPMI das Fake News e o cancelamento da reunião entre chefes de Poderes, podem fazer Bolsonaro "baixar a bola", conforme disseram integrantes do Exército, segundo a mídia.

    Eles entendem, porém, que o efeito deve durar pouco. A crise deve se prolongar, com novos arroubos autoritários do presidente, que não segue a liturgia mínima do cargo que ocupa, na visão dos militares.

    Esses mesmos generais afirmam inexistir a possibilidade de um golpe perpetrado por Bolsonaro e de uma consequente ruptura do processo democrático.

    No Alto-Comando, existe um temor real de que se repitam no Brasil as cenas vistas nos Estados Unidos após a derrota do republicano Donald Trump, ídolo de Bolsonaro, para o democrata Joe Biden, de acordo com a Folha de São Paulo.

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, observa antes de dar as boas-vindas ao presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil, 30 de julho de 2021
    © REUTERS / ADRIANO MACHADO
    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, observa antes de dar as boas-vindas ao presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil, 30 de julho de 2021

    Entenda o caso

    Bolsonaro, que defende o voto impresso e diz que houve fraudes nas eleições de 2018 por conta do sistema de urnas eletrônicas, tem atacado diversas vezes o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, e ministros do Supremo.

    Ontem (5), Fux cancelou uma reunião que haveria entre os chefes dos Poderes pelas ofensas proferidas pelo presidente, e disse que o chefe do Executivo não cumpre a própria palavra. 

    Diante desse quadro, hoje (6), juízes federais publicaram uma nota classificando como "inaceitáveis as repetidas mensagens distorcidas sobre decisões judiciais" declaradas pelo chefe do Executivo.

    Os magistrados também manifestaram repúdio "à escalada de desrespeito" aos integrantes do STF e defenderam o posicionamento de Fux, conforme noticiado.

    O apoio de generais militares à ação do presidente do STF mostram mais um organismo que se opõe às declarações feitas pelo presidente, e pode ajudar a isolá-lo ainda mais.

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    Tags:
    Brasil, política, Exército, STF, TSE
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