19:36 19 Junho 2021
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    Jair Bolsonaro saiu em defesa de Israel e criticou os ataques contra o Estado judeu. Porém, não comentou as agressões em território palestino. Para especialista ouvido pela Sputnik Brasil, a postura do presidente não é diplomática, mas um aceno ao seu eleitorado.

    Os conflitos entre o Hamas e as forças militares de Israel têm se intensificado nos últimos dias, com mais de 1.600 foguetes lançados apenas contra o Estado judeu.

    A Palestina, por sua vez, sustenta ter encontrado sinais de asfixia por gás venenoso em mortos que resultaram dos ataques israelenses. O país suspeita que Israel tenha usado armas químicas.

    Líderes dos principais países do mundo condenaram a violência de ambos os lados na mais recente escalada de confrontos na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro não. Bolsonaro criticou a violência contra Israel, e como sempre, utilizou suas redes sociais para fazer isso.

    "​Expresso minhas condolências às famílias das vítimas e conclamo pelo fim imediato de todos os ataques contra Israel, manifestando meu apoio aos esforços em andamento para reduzir a tensão em Gaza", concluiu, em outra publicação.

    Para compreender os efeitos políticos e diplomáticos destas falas do presidente da República, a Sputnik Brasil conversou com Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

    Israel bombardeia posição do Hamas na Faixa de Gaza em retaliação ao lançamento de mais de mil foguetes pelo grupo contra seu território
    © AP Photo / Hatem Moussa
    Israel bombardeia posição do Hamas na Faixa de Gaza em retaliação ao lançamento de mais de mil foguetes pelo grupo contra seu território

    Decisão política

    Para o especialista, Bolsonaro fez "um pronunciamento para a plateia, para mobilizar seus eleitores". Ele explicou que a temática de Israel é um catalisador da causa bolsonarista.

    "Historicamente, Israel não era uma questão fundamental na nossa política, mas passa a ser depois que setores evangélicos da sociedade veem ali uma questão teológica, uma reformatação do reino de Israel e de Judá, como condição para o retorno de Jesus Cristo", comentou.

    O professor enfatizou que a fé é uma questão da esfera privada, mas está impactando na política externa brasileira, principalmente em razão dos acenos de Jair Bolsonaro aos seus aliados. "Em suma, Bolsonaro adota esta posição em função da pressão da base evangélica. E ele precisa se recompor junto a este eleitorado, pois as pesquisas indicam que este segmento está migrando para a candidatura de Lula em 2022".

    Bandeiras de Israel e do Brasil em manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo
    © Folhapress / Danilo Verpa
    Bandeiras de Israel e do Brasil em manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo

    Qual posição o Brasil deveria adotar?

    Questionado sobre qual posição o Brasil deveria adotar ante conflitos no Oriente Médio, o professor defendeu o pragmatismo. Ele entende que houve algumas mudanças na política do Itamaraty com a saída de Ernesto Araújo, mas disse que Bolsonaro não perde tempo. "Ele sempre volta às suas posições radicais. Não para governar, mas para mobilizar sua base".

    Em seguida, o professor explicou que "depois que o Bolsonaro chegou ao poder, nós abandonamos nossa postura histórica com relação ao Oriente Médio, e que tinha se alinhado com o lado Palestino durante os anos de Lula e Dilma. Na minha visão, o Brasil é uma potencia média, sem grande prestígio, e portanto deveria tomar uma postura distante com relação a este tema".

    Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
    © REUTERS / Nir Elias
    Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
    O professor ressaltou que apesar das grandes colônias de imigrantes no Brasil, muitas delas oriundas do Oriente Médio, o país precisa lidar com estas pressões e aprender a estar em cima do muro. "Nós deveríamos ter uma postura mais neutra, chamando as partes ao entendimento quando conflitos desta natureza acontecerem".

    O não reconhecimento em um Estado

    Vinícius Guilherme Rodrigues entende que "o presidente não cita a Palestina porque ele não reconhece na Palestina o direito de ter seu próprio Estado. Um povo sem Estado não merece ser mencionado, não merece ter reconhecido os seus direitos, ou mesmo o fato de que eles também sofreram ataques nesta guerra assimétrica".

    A questão da disparidade de poder entre os dois Estados em guerra também foi analisada pelo especialista. Segundo ele, a guerra é assimétrica porque "de um lado há um Estado constituído, com um Exército profissional, e do outro um território tentando se afirmar, com vários problemas históricos internos e externos".

    • Agentes dos serviços de emergência de Israel inspecionam os danos na cidade israelense de Rishon Lezion, após foguetes lançados de Gaza atingirem a região
      Agentes dos serviços de emergência de Israel inspecionam os danos na cidade israelense de Rishon Lezion, após foguetes lançados de Gaza atingirem a região
      © AFP 2021 / Gil Cohen-Magen
    • Fumaça é vista saindo de um prédio destruído após ter sido bombardeado por Israel na cidade de Gaza, 12 de maio de 2021
      Fumaça é vista saindo de um prédio destruído após ter sido bombardeado por Israel na cidade de Gaza, 12 de maio de 2021
      © AP Photo / Khalil Hamra
    • Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
      Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
      © AFP 2021 / Menahem Kahana
    • Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      © AFP 2021 / Mahmud Hams
    • Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      © AFP 2021 / Mohammed Abed
    • Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
      Sistema de defesa aérea israelense Cúpula de Ferro intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel
      © AFP 2021 / Menahem Kahana
    • Interceptação de foguetes sobre o território de Israel lançados a partir da Faixa de Gaza
      Interceptação de foguetes sobre o território de Israel lançados a partir da Faixa de Gaza
      © REUTERS / Amir Cohen
    • Lançamento de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza
      Lançamento de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza
      © AP Photo / Khalil Hamra
    • Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      Foguetes disparados em direção a Israel a partir da Cidade de Gaza
      © AP Photo / Khalil Hamra
    • Membros da força de segurança israelense patrulham durante toque de recolher noturno após violência na cidade árabe-judaica de Lod, em Israel, em 12 de maio de 2021.
      Membros da força de segurança israelense patrulham durante toque de recolher noturno após violência na cidade árabe-judaica de Lod, em Israel, em 12 de maio de 2021
      © REUTERS / AMMAR AWAD
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    © AFP 2021 / Gil Cohen-Magen
    Agentes dos serviços de emergência de Israel inspecionam os danos na cidade israelense de Rishon Lezion, após foguetes lançados de Gaza atingirem a região

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Hamas, guerra, Autoridade Palestina, Palestina, Oriente Médio, crise, israel, Israel, Jair Bolsonaro
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