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    COVID-19 no Brasil em meados de maio (48)
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    Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira (12), o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten afirmou que procurou o presidente Jair Bolsonaro para tentar "solução rápida" quando soube da oferta de vacinas da Pfizer.

    "A minha atitude foi republicana e no intuito de ajudar... Procurei o presidente Bolsonaro na busca de uma solução rápida", disse aos senadores.

    O ex-secretário já havia afirmado, em entrevista à revista Veja, no dia 22 de abril deste ano, que se envolveu em tratativas sobre a Pfizer em setembro de 2020.

    Na época, ele disse que as negociações travavam no Ministério da Saúde, comandado pelo ex-ministro Eduardo Pazuello, e que a falta de evolução no acordo atrasou o início da imunização no país.

    À revista, ele declarou ainda que o presidente "está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido" e que Bolsonaro "era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas".

    Nesta quarta-feira (12), na CPI, os senadores apontaram contradições entre o conteúdo da entrevista e as afirmações à comissão.

    O relator Renan Calheiros (MDB-AL) chegou a afirmar que a CPI poderá pedir a prisão de Wajngarten por não dizer a verdade aos parlamentares.

    O presidente da comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou que a CPI pediria a gravação da entrevista do ex-secretário à Veja, dizendo que o depoimento do ex-secretário estava prejudicado.

    "Com todo o respeito que o senhor merece, se Vossa Excelência não for objetivo nas suas respostas, nós iremos dispensá-lo dessa comissão, pediremos a revista Veja que mande a gravação e o chamaremos de novo, não como testemunha, mas como investigado", ameaçou.

    Declarações de Bolsonaro

    Na sessão, Wajngarten também foi pressionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) a comentar as declarações de Bolsonaro que vão na contramão das orientações sanitárias durante a pandemia.

    O ex-secretário afirmou desconhecer o alcance da fala do presidente.

    "Eu acho que os atos do presidente pertencem a ele. Não posso especular o que passava na cabeça dele quando ele falou isso [sobre críticas a medidas sanitárias e à vacinação]. Eu não sei qual o alcance de uma fala presidencial. As frases de um presidente são carregadas pelos veículos de comunicação", disse Wajngarten.
    O senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sessão da CPI da Covid
    © Foto / Edilson Rodrigues/Divulgação/Senado Federal
    O senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante sessão da CPI da Covid

    Em seguida, ele mencionou que as campanhas publicitárias na pandemia também serviram para "contrapor" as declarações do presidente.

    "O impacto de uma mensagem é composto por várias formas de emulsão da mensagem. A fala do presidente é uma, a minha campanha é outra, a campanha de rádio é outra. Eu vou dizer ao senhor: Tem impacto? Tem impacto, a gente faz campanha para contrapor, a gente faz campanhas para complementar", afirmou.

    O ex-secretário disse ainda que há "muita gente que não escuta o presidente". Segundo ele, as atitudes e declarações impactam cada público de maneiras distintas.

    Suspensão dos trabalhos

    O presidente da CPI da Covid suspendeu a reunião da comissão por volta das 17h10 após o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ter chamado seu colega Calheiros de "vagabundo", gerando um bate-boca na comissão.

    O atrito se deveu ao fato de Renan Calheiros querer pedir a prisão de Wajngarten, ao que Flavio declarou: "Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros. Olha a desmoralização."

    "Vagabundo é você, que roubou dinheiro de pessoal no seu gabinete", retrucou Calheiros, "Você que é", completou.

     

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    vacinação, vacina, CPI, governo federal, Jair Bolsonaro, comunicação, novo coronavírus, pandemia, COVID-19
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