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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)
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    O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, que ficou 28 dias à frente do pasta, prestou depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (5), afirmando que deixou o governo por divergências com Bolsonaro sobre medidas para conter a pandemia.

    Em seu depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (5), o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, declarou que deixou o cargo por conta do desejo do governo de "ampliação do uso da cloroquina" no tratamento da população.

    "O pedido específico [de demissão] foi pelo desejo [do governo] de ampliação do uso de cloroquina. Esse era o problema pontual. Mas isso refletia uma falta de autonomia e uma falta de liderança", afirmou o ex-ministro. 

    Nelson Teich destacou que sua convicção pessoal era baseada em estudos científicos, apontando que não existia evidência da eficácia da cloroquina. De acordo com ele, esta foi a divergência fundamental que minou sua autonomia e liderança para exercer o cargo. 

    "As razões da minha saída do ministério são públicas, elas se devem basicamente a constatação de que eu não teria autonomia e liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo. Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação as divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da COVID-19, enquanto minha convicção pessoal, baseada nos estudos, que naquele momento não existia evidência de sua eficácia para liberar", acrescentou. 

    O presidente Jair Bolsonaro anuncia o novo ministro da saúde Nelson Teich, no Palácio do Planalto.
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    O presidente Jair Bolsonaro anuncia o novo ministro da saúde Nelson Teich, no Palácio do Planalto.

    O ex-ministro afirmou também que, durante sua gestão, não houve nenhum plano claro do governo para aquisição ou produção de vacinas.

    Ao ser questionado pelo relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), se tinha conhecimento da produção de cloroquina pelo Exército, o ex-ministro afirmou que não sabia e que não foi consultado sobre o assunto.

    Nelson Teich também criticou a tese da imunidade de rebanho, defendida pelo governo, bem como a recomendação de remédios sem comprovação científica e o gasto de recursos com essas alternativas não eficazes

    "Essa tese de imunidade de rebanho onde você adquire a imunidade através do contato, e não da vacina, isso é um erro. A imunidade você vai ter através da vacina e não através de pessoas sendo infectadas. Então, isso aí não é um conceito correto", disse o ex-ministro da Saúde.

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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)

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    Tags:
    Ministro da Saúde, saúde, Jair Bolsonaro, Bolsonaro, pandemia, novo coronavírus, CPI, COVID-19
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