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    A única empresa que pode ajudar a recuperar a indústria naval brasileira é a Petrobras: é o que afirmou Sérgio Bacci, vice-presidente executivo do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval e Off Shore), em entrevista à Sputnik Brasil nesta quarta-feira (28). 

    Segundo a Sinaval, o Brasil teve queda de 81,8% dos postos de trabalho na indústria naval desde 2014. Eram 82 mil empregos no setor em dezembro daquele ano; hoje, são cerca de 15 mil. A explicação para essa queda tão grande é a mudança de postura da Petrobras nos últimos anos: antes, a estatal encomendava embarcações brasileiras, mas nos últimos anos passou a fazer importações de países asiáticos.

    "Se a Petrobras, a maior empresa brasileira, não induzir a demanda da indústria naval brasileira, dificilmente a gente vai ter uma indústria pujante. […] A indústria naval depende de demanda perene, e a única empresa hoje que pode dar uma demanda perene para a indústria naval brasileira é a Petrobras", diz Bacci.

    Por isso, para reverter a situação, Bacci só vê uma solução: a volta da demanda da Petrobras pelas embarcações nacionais. Em 8 de março, o presidente Jair Bolsonaro oficializou a troca no comando da estatal, substituindo Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna. Bacci está confiante de que esta mudança possa mudar o atual curso da indústria naval no Brasil.

    "A gente tem conversado isso já há sete anos com a Petrobras e ainda não fomos felizes no nosso intento. Mas eu tenho certeza agora com a mudança no presidente da Petrobras, um presidente nacionalista, ele vai ver a indústria naval de outro modo, que pode gerar muito emprego, que é o que o país está precisando hoje", afirma o especialista.

    Além do retorno da Petrobras, Bacci cobra também incentivos nacionais para que o setor retome o crescimento. Segundo o especialista, é comum que governos, bancos e empresas patrocinem as indústrias navais pelo mundo.

    "Na China, o governo é sócio dos estaleiros. No Japão, a linha de financiamento tem taxa de juros muito baixas. Nos Estados Unidos, os navios são feitos lá, em estaleiro norte-americano, tripulado por norte-americanos, de bandeira norte-americana", diz Bacci.
    Submarino brasileiro Classe Riachuelo
    © Foto / Divulgação / Marinha do Brasil
    Submarino brasileiro Classe Riachuelo

    De acordo com a Marinha do Brasil, a Amazônia Azul abriga as reservas do pré-sal e é de onde sai 75% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no país. Além disso, é através do litoral que mais de 95% do comércio exterior brasileiro é escoado. Nesta área, existem recursos naturais e uma rica biodiversidade ainda inexplorados pelo país. Desta forma, urge a necessidade de proteção naval desta região

    No entanto, empresas navais não estão construindo nenhuma embarcação em solo nacional. A única movimentação que se vê não estaleiros é para a realização de reparos na frota já existente. Segundo Bacci, o país não deve considerar a possibilidade de investimento estrangeiro no setor.

    "Nenhum investidor vai querer investir no Brasil se não tiver demanda. Só vai investir no Brasil se ele vir uma oportunidade de negócio", finaliza Bacci.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    indústria naval, Marinha, Brasil, economia, navio, submarino, Petrobras
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